sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

[RESENHA] Highschool of the Dead [Allena]

  Essa é mais uma das várias resenhas da Allena que eu vou colocar por aqui, e certamente uma das melhores resenhas que ela já escreveu. Eu fico feliz que ela tenha resenhado esse mangá, pois admito, não gosto do gênero, não pretendia comprar e tenho má-vontade a respeito dele. Esse é o link para a Resenha no original.




No original Gakuen Mokushiroku – Highschool of the Dead (Colégio Apocalipse – Colégio dos Mortos), geralmente apenas chamado de Highschool of the Dead ou simplesmente abreviado para HOTD., é uma série em publicação desde setembro de 2006 na revista Dragon Age (a mesma de Chrono Crusade e Full Metal Panic! Sigma) da Fujimi Shobo (uma das ramificações da Kadokawa Shoten).

O mangá também foi lançado na Espanha, França, Taiwan e Alemanha. Atualmente tem 5 volumes encadernados (que contemplam até o capítulo 22), estando atualmente no seu 25º capítulo. Vale lembrar que essa revista, Dragon Ace, é mensal e cada volume tem em média 4 a 5 capítulos. Ou seja, é um mangá que demooora para ser compilado em volumes, então esteja previamente preparado para looooongos meses de espera caso acompanhe o título pela Panini. Além disso, a obra esteve parada desde o fim de 2008, só tendo voltado recentemente em fevereiro de 2010 junto do anúncio de um anime que estreia este ano no Japão à cargo da Madhouse.

Os autores são Daisuke Sato (história) e Shouji Sato (arte) e embora tenham o mesmo sobrenome os dois não têm qualquer parentesco. Shouji é principalmente conhecido por seu grande arsenal de doujinshis hentai. Já Daisuke trabalhou em jogos, novels e alguns outros mangás. Ambos são autores bem apagados, mas que ganharam muita fama com HOTD.

HOTD é um shounen-ecchi, cujo tema envolve um mundo apocalíptico cheio de zumbis, onde um grupo de jovens tenta sobreviver a qualquer custo. Uma obra carregada de ação, drama, romance, terror e muito sangue. Convenhamos que descrito assim não parece nem um pouco diferente da tonelada de jogos, filmes, desenhos e quadrinhos sobre o assunto. O que HOTD tem que o faz se destacar?

Eu diria que um dos motivos é o enredo. Ao contrário de outras obras onde personagens, vilões e habilidades tem que ser criadas do nada para dar continuidade a saga, HOTD é uma história super bem trabalhada, coesa e pensada com antecedência. Existe a preocupação de se montar um rascunho do que será a história. Dessa forma a grande maioria dos personagens e fatos que aparecem são citados direto ou indiretamente nos capítulos anteriores, ou seja, é tudo bem costurado. E é feito com tal minúcia que quando a trama vai se resolvendo você vai lembrando as pontas deixadas no início, algumas delas talvez só sejam possíveis perceber após uma releitura.

Essa é uma qualidade bem rara nos dias de hoje, o que de certa forma justifica o extremo preconceito em considerar quadrinhos como literatura. Como o encarregado do roteiro é um experiente escritor de novels e romances, o mangá ganha um charme e só por isso já merece uma chance.

Outro motivo óbvio é o traço de Shouji. Como autor de (muitos, mas muitos) hentais, seus desenhos são muito bonitos, com corpos bem modelados (tirando os “melões”), expressões bem destacadas e boa noção de movimento. É claro que isso torna o fan-service super presente, por exemplo, várias e várias imagens de ataque são extremamente sensuais, ou melhor, sexuais (se você ignorar os zumbis mastigando). Fora a tonelada de calcinha, sutiã, coxões, peitões, bundões, pernões para fora e todo tipo de decote e posição sensual que puder imaginar.

A história em si começa no meio da zona com tudo já acontecendo. Você acompanha a trama através dos olhos de Takashi, que sempre narra o começo e o final de cada capítulo. É uma mistura do presente com a narração de um “futuro” Takashi, muito similar ao que ocorre em Nana (de Ai Yazawa).

Logo no começo três alunos se encontram presos no terraço do colégio cercados por zumbis. São eles Rei Miyamoto, Hisashi Igou e Takashi Komuro (nosso protagonista/narrador). É através deles que nos é dito como a “epidemia” de zumbis teve início nas suas vidas e que a história começa a se desenrolar (inclusive nos apresenta à relação entre eles que evoluirá e os perseguirá por todo o mangá). Enquanto isso, nas demais salas e áreas do colégio, outros grupos de alunos tentam, cada um a sua maneira, sobreviver ou fugir da ameaça. Dezenas de personagens aparacem, muitos deles não duram uma página, mas ao unir todas as cenas, os autores mostram as diversas facetas do desespero e da psique humana. Aqueles que abandonam os amigos, os que se sacrificam por quem ama, os que se suicidam, os que simplesmente surtam, os mais calculistas e por assim vai.

A partir do segundo capítulo o autor monta mais ou menos o grupo principal que perdurará durante a história sem se alterar muito. São eles Rei Miyamoto (uma jovem praticante de Soujutsu – uma arte marcial com lança), Takashi Komuro (nosso narrador), Saeko Busujima (outra mulher, pratica kendô), Saya Takagi (uma garota muito inteligente), Kohta Hirano (um nerd fanático por armas) e Shizuka Marikawa (a enfermeira da escola).

Conforme a história passa o grupo entra em contato com outras pessoas e grupos, movidos por seus próprios objetivos e emoções, explorando assim as diversas possibilidades de reação humana dentro de um caos.

O interessante de HOTD é também o fato de nossos protagonistas não serem heróis, eles não tem o objetivo de salvar o mundo. Eles nem sabem com o quê estão lidando e o quanto a doença se alastrou. Apenas se esforçam para manterem-se vivos e encontrarem suas famílias (ou o que sobrou delas =P).

Alguns detalhes interessantes de HOTD: todos os nomes dos capítulos (chamado de atos) têm a palavra “Dead”, muitos deles sendo paródias de nomes, frases famosas ou ditados, por exemplo: “Alice in Dead Land”, “Guns ‘n Deads”, “The Girl Next Dead” e “Father Knows Dead”. Várias partes da história fazem referência à filmes, livros e jogos do tema, sejam ela citações, nomes, caricaturas ou cenas idênticas, muitas delas citadas no glossário da Panini. Além disso todos os volumes (tirando o primeiro) são iniciados com uma espécie de “a história agora”, onde o autor dá flashs coloridos do que ocorrerá (que devem ficar em preto e branco no Brasil). No final de todo volume também tem outro especial, na verdade é uma página de crédito, mas além disso tem vários quadros com cena do passado pré-apocalíptico de alguns personagens aleatórios. Por último os volumes mais para frente terão espécies de enciclopédias de armamentos, que espero que a editora mantenha.

Como todos já sabem, nossa versão ficou a cargo da Panini, que fez um belo trabalho. É um mangá com algumas reconstruções horríveis de se fazer e com balões tão finos e reduzidos que torna o trabalho de um letrista infernal, mas que graças a Deus foi muito bem feito (louvada seja a Beth Kodama e a Débora Kamogawa!). A tradução e revisão também ficaram muito boas como é padrão da editora. Encontrei apenas um erro de diagramação no Glossário (onde explica sobre Highschool of the Dead).

O acabamento está com capa mole, verso colorido e páginas acinzentadas. Não foram incluídas as páginas coloridas (que você pode ver abaixo), mas possui a ”lista de armamentos” (situado no verso da capa), Freetalks e um glossário caprichado feito pela própria editora. Além disso o índice que ficava na orelha ganhou uma página própria. Continua com a imagem original que havia na orelha, dá até para ver escrito “contents” e pedaços do índice japonês. O próprio Freetalk também estava em uma das orelhas, mas nesse caso a editora pegou a arte da capa japonesa e usou para fazer a página. No quadro branco onde originalmente eram os dados e códigos de barras ficou os freetalks e no “pedaço de papel” onde ficava a sinopse virou uma nota sobre o os freetalks, mais abaixo tem uma capa do volume 1 original que você pode usar para visualizar.

Notei também uma peculiaridade nesse volume. HOTD não é um mangá com margens, o autor sempre utiliza todo o espaço disponível na folha. Mas na versão da Panini você pode ver que todas as páginas tem margens adicionadas pela editora. Nenhuma outra versão disponível na internet possui margens, você pode observar que falta o contorno dos quadros onde toca a margem. Talvez essa seja um borda de segurança para evitar cortes dos desenhos e falas (que ocorrem bastante, prova disso que a própria editora afastava as “falas” das bordas). Sinceramente não acho uma má idéia, embora se perca um pouco do espaço (e achei que a borda ficou grande demais), é ótima a garantia de não ter nada cortado e sem as deformações nos textos.

Vale a pena comentar também que a capa foi de certa forma “censurada”, na versão japonesa aparecia calcinha e as coxas da personagem, na versão brasileira o desenho foi cortado, sumindo com a coxa e a calcinha, ficando ambos os lados do mangá com a mesma imagem. O que é uma pena porque as capas de HOTD são muito bem feitas e o desenho ocupa toda a capa e orelhas. Abaixo você pode ver as imagens, compare a capa da Panini no fim da resenha. Se tiver o mangá em mãos aproveite para comparar a página de índice, a de “Pare você está lendo do lado errado”, a de créditos e a do freetalk, são todas pedaços da capa original.
Esse é sem dúvida um dos meus mangás favoritos.

Título: Highschool of the Dead
Editora: Panini
Autores: Daisuke Sato (história) e Shouji Sato (arte)
Formato: 13 x 18 cm, 176 páginas aproximadamente.
Preço: R$ 9,90
Periodicidade: Bimestral
P.s. Obrigado, Allena, por ter permitido a utilização do seu texto no blog. ^^

5 comentários:

LINK#6065 disse...

Bem...eu discordo e muito da Allena quando ela diz que a trama da série é bem trabalhada e bem pensada.

Eu concordo que o enredo e o fato dos personagens serem só um bando de estudante sem saber o que estão fazendo, chama bastante atenção, etretanto, justamente a história totalmente desfocada de propósito estraga a série.

HOTD é um mangá que eu não compro e nem pretendo comprar em época nenhuma, acompanho os scans da série e até agora (capitulo 25) não aconteceu NADA. =(
Assim fica difícil...fora que pra mim o mangá é totalmente apelativo...o ecchi fica evidenciado e forçado demais.

Kadu disse...

Link, eu tbm não curto HotD, detesto como esses ecchis acabam sendo idiotas, é tudo desculpa pra mostrar peitos e calcinhas e coerência zero, se as garotas estão pagam peitinho/calcinha tá bom assim mesmo.
Se não fosse pela Allena esse site jamais veria uma resenha de HotD.

Rodrigo disse...

Eu tambem discordo da Allena porque depois de 6 volumes a historia não chegou a lugar nenhum e Kadu você fez bem em não comprar esse manga.

Soto disse...

Esse mangá é horrível. Pensei em comprar mas li o primeiro capítulo por scan (e mesmo eu não gostando de ler no pc, alguns eu até faço uma força) e não consegui, bem ruinzinho.

rafael_habbo98 disse...

Bem, pelo menos eu gostei '-'