sábado, 26 de novembro de 2011

[Resenha] Basilisk


  Ó pessoa amada, a ti desejo a morte. Essa é a primeira frase que lemos no verso da capa do primeiro volume de Basilisk, a frase não poderia ser mais apropriada.

DADOS TÉCNICOS

  A série foi publicada de fevereiro de 2003 até julho de 2004 na extinta antologia Young Magazine Uppers da Kodansha. O mangá é baseado no livro Kōga Ninpōchō, ou, em tradução livre, O Pergaminho Ninja dos Kouga escrito por Futaro Yamada entre 1958 e 1959, então nem tentem dizer que é plágio de  Naruto. A adaptação em mangá ficou a cargo de Masaki Segawa (que agora está adaptando pela terceira vez um livro do Futarou Yamada) e foi concluído em 34 capítulos organizados em 5 volumes tankoubon. Além disso, em 2005 o mangá foi adaptado em uma série animada de 24 episódios que é bastante fiel ao mangá e se tornou um grande sucesso.


RESUMO

  Não é um erro chamar Basilisk de Romeu e Julieta ninja, a série é exatamente isso, mas é bom ressaltar que ela não é só isso.
  No ano de 1614 Ieyasu Tokugawa precisa decidir quem será o seu sucessor como Xogum, para não perder nenhum homem de seu exército em disputas sem sentido (e de quebra enfraquecer a força dos ninjas turrões) ele prefere romper o tratado de paz imposto aos clãs ninjas Iga e Kouga. Cada um dos clãs representará um dos herdeiros nessa disputa e por isso deve selecionar seus dez maiores guerreiros. O clã que tiver o maior número de guerreiros vivos e levar o pergaminho com o nome dos vinte participantes com os nomes dos mortos marcados em sangue no último dia do quinto mês do ano 19 da Era Keichou será considerado vitorioso, "receberá mil anos de glória por mérito" e elegerá o sucessor do xogunato.
  No centro dessa disputa temos os jovens noivos Oboro de Iga, neta da líder do clã Iga e Gennosuke Kouga, neto do líder de Kouga, os dois sucessores aproveitam a trégua entre os dois clãs para viver o seu amor e tentar reconciliar as duas famílias que brigam há mais de 400 anos e cujo motivo inicial da disputa ninguém consegue se lembrar, só que com a disputa eles precisarão decidir o que é mais importante: A lealdade para com o clã ou o amor de sua vida?
  E assim nós temos uma mistura de batalha ninja com Romeu e Julieta e X-Men que no final das contas funciona muito bem se você curte batalhas de tirar o fôlego.


IMPRESSÕES

  É um mangá de leitura rápida (estilo Bleach, Gantz...) com muita ação, batalhas cheias de reviravoltas. Eu gostei bastante, ele é muito bom naquilo que se propõe e não vai muito além disso, não pretende discutir o sentido da vida, só nos mostra como o ódio pode ser tão fútil que no fim das contas nem nos lembramos dos motivos pelos quais odiamos ou lutamos com alguém. Apesar de haver um certo sentido de honra é fácil perceber como no fim das contas tais valores não fazem muito sentido e que não há espaço para orgulho no meio de uma guerra, é matar ou morrer e não há muita coisa além disso.
  Os personagens são bem diferentes do que estamos acostumados, mais realistas, não tão bonitos e infantilizados como na maioria dos mangás publicados por aqui. Algo que me incomodou MUITO foi o mangaká (talvez a mangaká, não tem como saber) abusar do uso de CG. Ele desenha os personagens muitas vezes em cima de fotos reais estilizadas para parecerem desenhos, mas o resultado acaba ficando bastante artificial, outros mangakás lançados no Brasil que utilizam muito esse recurso são o Hiroya Oku (Gantz) que também exagera e deixa muitas cenas artificiais (mas bem menos artificial do que o/a Masaki Segawa) e a Ai Yazawa (NANA/Paradise Kiss) que aplica muitíssimo bem esse recurso. São poucos os cenários e isso empobrece a arte do mangá, lá pelo meio do volume 3 já tem mais cenários desenhados a mão (talvez a série tenha feito sucesso e assim permitido a contratação de mais assistentes), mas continua o exagero na CG.


ACABAMENTO (edição e adaptação)

  Como já disse a arte é bem simples, então não vi nenhum problema nas edições de imagem. O destaque desse mangá são as páginas coloridas iniciais, sempre 3 ou 4 páginas coloridas (frente e verso), o restante das folhas está impresso no papel pisa brite cinzento de sempre. O efeito moiré, ou sombra, é mínimo já que as páginas são sempre muito escuras, mas há um leve moiré que pode ser percebido em algumas páginas.
  A adaptação está habitual, foram mantidos os honoríficos e alguns termos, há o glossário no final com as explicações.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

  Eu gostei do mangá e recomendo para você que curte mangás de ação. Apesar da classificação seinen essa é só uma desculpa pra ter cenas recheadas de ecchi e muita, muita violência, não espere muito aprofundamento em questões existenciais ou filosofia, esse é um mangá cheio de porrada e é ótimo que seja assim. Nada contra, eu gosto bastante, mas esse é um exemplo do que se convencionou a chamar de "Young Seinen" (repare no título da antologia de onde ele veio), é o típico seinen pro leitor que está migrando do shounen para o seinen. Se você curte Gantz, Highschool of the Dead, Claymore, Guin Saga pode acabar curtindo bastante.

FICHA TÉCNICA DO MANGÁ

Título: Basilisk - O Pergaminho Secreto dos Kouga
Autores: Futarou Yamada (história) e Masaki Segawa (arte e adaptação)
Formato: 13 x 20,7, 200~220 páginas
Duração:  5 volumes, completo
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Seinen
Gênero: Ação, Luta, Drama, Ninjas

6 comentários:

O Judeu Ateu disse...

Eu gosto de Basilisk, acho que é exatamente o que você descreveu, não é nenhuma obra de arte suprema, mas acho que vale a pena os R$11, é algo que vale a pena ter na prateleira na minha opinião.

São bem forçadas as CG do mangá mesmo, mas acho que ele compensa no final das contas com os personagens, gosto muito do character design, o que acaba tirando bastante atenção do cenário. Eu acho que Gantz melhorou muito nisso na minha opinião, principalmente nessa ultima saga que tá muito bem feita, se bem que a história né....

Kuroi disse...

Você ainda lê Gantz? Pobrezinho... Desisti faz tempo, já vi que não vai sair nada daquela bosta. Só continuo comprando quando sai no Brasil por inércia. No dia em que não tiver $$ vai ser o primeiro a ser dropado. Mas Basilisk é muito bom mesmo, não tentar ser mais do que realmente é já é um grande mérito.

LINK#6065 disse...

Basilisk é muito bom no que se dispõe a ser! E isso é o que o faz uma série extramamente interessante de se ler.
Não é atoa que venceu o Kodansha Award de 2004.
Existem tantas histórias boas, com boas cenas de ação e que se perdem totalmente! Basilisk é eficiente nesse sentido. Consegue prender sua atenção e prova que excelentes mangás não precisam ficar se "rastejando" por infinitas quantidades de edições.
Um dos poucos mangás que me levam a banca para procurá-lo.
Agora com o fim próximo de Homunculus.... x.x

ALtamente recomendado, a menos que você não goste de ação constante e romance.

Densetsu disse...

YôÔÔ Kuroi. Realmewnte eu curto Basilisk pá caramba, é mto Ninja mesmo( trocadilho infame, NÂÂÂO). Estou acompanhando o mangá desde o primeiro.
Tem tbm um filme, que penso eu foi baseado na mesma obra, ele se chama "Shinobi". Vc já assitiu? É claro que não tão bom qto o mangá ou o Anime mas é assistivél.
Olha, eu te indiquei ao Selo Sunshine 2011, ok?

Atê uma prox vez. Abraço.

http://dragondensetsu.blogspot.com/2011/11/selo-sunshine-2011.html

Mauricio disse...

Eu conheci o Basilisk pelo anime, mas achei tão exagerado que não passei do primeiro episódio.
Depois, quando fiquei sabendo que publicariam, procurei o scan pra ver como era e acabei devorando em uma única noite.
É um manga rápido, bem acabado e sem maiores pretensões mesmo. Por isso, acaba sendo muito bom.

Coringa disse...

Comprei não gostei e vendi, se me perguntarem não recomendo.