sexta-feira, 15 de outubro de 2010

[RESENHA] Sugar Sugar Rune


  Esse ano a Panini pegou todo mundo de surpresa com uma leva enorme de títulos shoujo, na verdade não é que sejam muitos mangás, mas são vários títulos curtos e a constante substituição faz parecer que são mais mangás do que na realidade. Esse ano a Panini colocou praticamente um novo título de shoujo mangá nas bancas todos os meses, o mais novo lançamento da Panini é Sugar Sugar Rune.

  Sugar Sugar Rune, ou Sugar² Rune é um mangá de autoria de Moyoco Anno, Moyoco Anno vem produzindo mangás desde meados da década de 1990, tem uma carreira sólida e diversificada, indo do shoujo ao josei, até o seinen e publicou até tirinhas de jornal. Moyoco Anno é conhecida também por ter se casado com Hideaki Anno, o criador de Neon Genesis Evangelion no ano de 2002,  o fato dos dois terem o mesmo sobrenome é coincidência.

  Sugar Sugar Rune foi publicado nas páginas da Nakayoshi, a casa de Sailor Moon, Sakura Card Captor, Candy Candy, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tokyo Mew Mew (que é o próximo shoujo a ser lançado pela Panini) entre muitas outras séries conhecidas pelos brasileiros. O mangá foi serializado de Agosto de 2004 até abril de 2007 e teve os capítulos coletados em 8 volumes tankohon, ganhou um animê de 51 episódios (Hideaki Anno foi um dos diretores da série animada) e até jogo de videogame para o Nintendo DS. No ano de 2005 Sugar Sugar Rune foi premiado com o Kodansha Manga Award na categoria de mangá infantil (o público alvo da Nakayoshi são garotas entre 9 e 12 anos de idade). O mangá foi publicado na França pela Kurokawa, nos Estados Unidos pela Del Rey, na Alemanha pela Reyne, na Suécia pela Bonnier Carlsen e na Espanha pela Glénat.


  Sugar Sugar Rune é um Mahou Shoujo (história com garotas mágicas) que conta a história de duas amigas, Chocola Meilleure e Vanilla Mieux, as duas são bruxinhas de dez anos de idade e vêm de um Reino Mágico para a terra para uma disputa que decidirá quem se tornará a nova rainha do Reino Mágico.
  A história começa quando Chocola e Vanilla pulam dentro do caldeirão que serve de portal entre o Mundo Mágico e a Terra, a passagem sai a muitos metros de altura e elas despencam para a Terra sem conseguir fazer nenhuma magia para impedir a queda, Rock'n Robin, o bruxo que será o responsável por elas no mundo humano faz uma entrada triunfal e as resgata da queda livre, enquanto isso um garoto está observando o céu estrelado com o telescópio do pai que está viajando e assiste tudo o que está se passando, o garoto se chama Akira e será um dos colegas de classe das meninas.
  Já na nova casa Chocola se espanta com o conforto do lar de Rock'n Robin onde ela e Vanilla morarão durante a disputa, a casa foi construida no terraço de um luxuoso prédio de 54º andares. Rock'n Robin pergunta às garotas se elas o conhecem, mas elas negam, no mundo humano Rock'n Robin é um músico famoso, ele explica que vencerá a disputa pela coroa de Rainha das Bruxas aquela que conquistar e capturar o maior número de corações humanos durante a estadia na Terra. Para capturar um coração a bruxa tem que usar um feitiço para transformar os sentimentos das pessoas em um cristal, esse cristal será armazenado em um Porta-Corações que mantém a contagem de pontos. Um coração pode ter várias cores, cada cor equivale a um sentimento diferente e cada cor tipo de sentimento uma pontuação diferente, um coração laranja de um amor à primeira vista/queda vale 300 écrus, já um coração roxo de desejo carnal vale 2.500 écrus. Já a noite antes de dormir as garotas relembram de uma promessa que fizeram, não importa quem ganhe a disputa, elas serão melhores amigas para sempre.
  No dia seguinte quando vão à escola pela primeira vez Rock'n Robin mostra às garotas sua habilidade de capturar corações usando as professoras como alvo, para as garotas parecerem japonesas elas vão passar a ser chamadas de Chocola Katou e Vanilla Aisu. Nas aulas nada sai como o esperado, Chocola que é agressiva, ousada e mandona não consegue nenhum coração, já a tímida e doce Vanilla que nunca foi popular no Mundo Mágico acaba sendo um sucesso entre os colegas.

  O mangá é muito divertido, mas não dá pra esquecer que é um mangá para crianças, o que nós temos de mais parecido aqui no Brasil é Sakura Card Captor, com uma história envolvente, elementos fantásticos que fazem a imaginação voar e um traço delicado e muito particular Sugar Sugar Rune mostra que é um excelente mangá, mas não é todo mundo que vai gostar. O traço é muito bonito, cheio de retículas e enfeites, os cenários são incríveis, mas aparentemente a autora desenha a mão livre, dá pra notar que há alguns "tremidos", mas isso parece ser proposital, lembra um pouco o estilo usado por algumas mangakás josei (como a Chica Umino em Honey & Clover, mas o estilo de arte é muito mais parecido com o de Gokinjo Monogatari da Ai Yazawa). Algumas pessoas podem não gostar da arte, ela não é parecida com o que vemos nas bancas atualmente, personagens magrelos e angulosos, os desenhos são mais delicados, enfeitados e as cabeças dos personagens é bem maior em relação ao corpo do que o costumamos ver nas bancas daqui. Poderia dizer que os personagens parecem bonecas delicadas.


  A adaptação dos nomes nesse mangá foi feito tomando como base os nomes romanizados no site do anime, a única diferença é a Vanilla que aparece escrito com um l só no site do anime, mas como o nome aparece escrito com dois l no decorrer do mangá a decisão correta foi tomada. Um tema espinhoso em relação à adaptação foi a mudança de Inferno para Reino Mágico, quem conhece um pouco a cultura oriental sabe que a ideia de inferno deles é totalmente diferente da ideia que o cristianismo nos legou. Colocar duas bruxinhas disputando a coroa do Inferno em um mangá infantil seria encrenca na certa em qualquer lugar do mundo dominado pelo cristianismo, não foi só no Brasil que Inferno foi adaptado para Reino Mágico e é melhor assim, acho que todo mundo se lembra da comoção causada pelas cartas de Yu-Gi-Oh! e do boçal do Gilberto Barros queimando as cartas e fazendo campanha contra a série na TV.
  Como sempre a Panini manteve os sufixos honoríficos nos lugares e colocou um glossário no final para explicar os termos usados no mangá. A capa é a mesma que foi usada no Japão, a diferença é o logotipo adaptado para o nosso alfabeto romano e as filigranas que ficam em alto-relevo no original apesar de estarem na capa infelizmente não estão em alto relevo, mas isso já era de se esperar, o maior problema para mim é que não há margem nas páginas o que faz "comer" parte das ilustrações que estão nas beiradas, a cola está muito forte, eu não gostei, algumas pessoas reclamaram que o mangá está estalando, deve ser por excesso de cola. Acho triste pois os mangás da Panini estavam vindo perfeitos e logo um título tão legal veio com esse problema que não aparecia há muito tempo, é triste ver isso regredir. De qualquer forma não tem tanta cola quanto tinha em Bleach e Gantz, ainda dá para manipular o mangá muito bem.


  A edição do mangá está perfeita, não consegui encontrar nenhum erro, foi tudo lindamente refeito (e tem muito, muito texto fora dos balões e mesmo as retículas estão como se nunca tivessem sido editadas), o português está bom, não encontrei nenhum erro, seja de ortografia, seja de digitação no mangá inteiro. O mais incrível de tudo é que foram mantidas as páginas coloridas originais, coisa rara nos mangáslançados por aqui. Eu senti a falta de uma folha de rosto, a folha de rosto não serve só para enfeitar, a primeira página de qualquer livro é a que mais sofre desgaste e normalmente é a primeira a rasgar por excesso de manuseio, a folha de rosto serve para a proteção do conteúdo, mas como não há páginas de rosto no mangá original não há um motivo real para reclamar. Os comentários das orelhas da sobrecapa foram colocados no verso da capa e da contra-capa que estão com uma textura acetinada, o trabalho feito no mangá ficou muito legal e caprichado mesmo (exceto pelo excesso de cola). Não sei se as páginas coloridas foram exigência de contrato, mas cobrar R$9,90, sem cobrar nenhum adicional por um tanko inteiro com páginas coloridas foi muito legal por parte da Panini, mostra o quanto eles respeitam e estimam o seu consumidor.
  Como pode ser visto na ilustração abaixo todas as ilustrações e free-talks do original japonês foram incluidos na versão brasileira.



  Uma coisa chata foi que eu procurei o mangá inteiro e não achei em lugar algum uma indicação se o mangá é mensal ou bimestral, não há checklist nele e na folha de expediente (também conhecida como folha de serviço), no checklist dos mangás que estão saindo agora deu para descobrir que o mangá é bimestral.
  A história é muito legal, é triste saber que algo tão legal não foi veiculado pela nossa TV, nem os canais fechados nem os abertos, se o animê tivesse passado nas redes de televisão teria sido um fenômeno entre as crianças como Sakura e Sailor Moon foram.



  Minha nota para o mangá em uma escala de 1 a 5 é 5, minha nota para o trabalho feito pela Panini é 4, então eu dou uma nota de 4,5 para o mangá que merece e é realmente muito bom, me empolgou e já se tornou um dos meus mangás preferidos.

Título: Sugar Sugar Rune
Autora: Moyoco Anno
Demográfico: Shoujo
Gênero: Infantil/Comédia/Romance
Formato:13,7 x 20cm, 210 Páginas
Duração: 8 Volumes 
Preço: R$9,90
Periodicidade: Bimestral

7 comentários:

lmalafaia disse...

Achei o mangá divertido, algo diferente. Na minha opinião, Sugar Sugar Rune é melhor que CCS. Aliás, a minha edição veio bem colada, estilo D.Gray-man 10, só que um pouco melhor.

Kadu disse...

Valeu, Lucas Malafaia, também acho SSR melhor q CCS, mas dizer isso com todas as letras o povo me mata.

Elisa disse...

Eu não tinha ficado muito animada com titulo mas acabei comprando depois de ler sua resenha e concordo, realmente a série é muito divertida o/

Não me arrependi mesmo.

Não sei se é melhor que CCS até por que não li tudo, mas não me impressionaria se fosse ^^

Kadu disse...

Obrigado, Elisa, fico contente que você tenha descoberto e curtido esse mangá (excelente) por causa da minha resenha, fico triste com a falta de propaganda que o título teve já que é um dos melhores títulos da Panini. Posso dizer que o mangá fica melhor exponencialmente.

Anônimo disse...

Eu tenho 11 anos e adorei o mangá o estilo e as ilustrações são nota 11 em uma escala de 0 a 10 e trago dois links um de leitura OnLine(em inglês):
http://www.mangarush.com/manga/sugar-sugar-rune
e um de anime OnLine(legendado em Port-br)
http://www.extremeonlinebr.com/2011/02/sugar-sugar-rune.html

Mangá e anime disse...

Oiew adorei essa pastagem pôs eu adoro a pannine.
Mas eu também não só vim falar sob está postagm e q eu tam tenho um blog e gostaria q vc êxtase e deixasse um comentário eo seguinte
animangacenterbrasil.blogspot.com:D

Ádria de Souza disse...

Ola.. Achei seu blog e esta postagem por acaso... Estava procurando novas imagens da Sugar Sugar Rune...E adorei sua resenha...
Agora Quanto ao mangá eu o amo de paixão... Também o descobrir por acaso na livraria.. e me apaixonei.. Amo Chocola.. cheguei ate a fazer um cosplay dela.. não sei se ficou muito legal... mais estou trabalhando para melhorar... quero com certeza a varinha dela... kkkkk
Fico triste que o titulo não seja muito conhecido.. realmente quando usei o cosplay teve amigas minhas que nem sabia.. foi bom que ajudei a fazer propaganda... Mas queria que fica-se mais conhecido...
Se quiser tem uma foto minha no meu blog.. aproveita e dar uma sacada...
http://loucurasempretoeroxo.blogspot.com/
beijos e boa sorte no seu trabalho...