domingo, 16 de maio de 2010

[RESENHA] Bijojuku: Cursinho de sedução

  Bijojuku é uma das novidades da Panini Planet Mangá para o ano de 2010, é um shoujo publicado originalmente em 2008 pela revista Betsucomi da Shogakukan (que é casa de Black Bird, outro lançamento da Panini).
  A romanização original do mangá era "Bizyoyuku", mas foi alterada para Bijojuku que é a forma mais aceita de romanização, o título significa "Instituo de Beleza". Em língua espanhola o mangá foi lançado pela Ivrea com o nome traduzido para "Instituto de tías guapas" e também foi lançado pela Panini Itália com o título de "High School Beauty Queen". Que bom que a Panini Brasil não resolveu inventar nada, né? Sorte nossa.
   Pétalas de rosa caindo, uma patricinha de suéter e óculos escuros entra na escola andando pelo tapete vermelho estendido carregando debaixo do braço uma bolsa com uma cadela Pug dentro. Isso de cara me lembrou certas personalidades como Britney Spears e Paris Hilton que têm o costume de levar cachorrinhos dentro de bolsas de marca e me garantiu a primeira de muitas risadas durante a leitura do mangá. Quando eu vi as primeiras páginas do mangá tudo gritava: GOSSIP GIRL!!, pura inocência... não demora muito para começar o escracho. Quando acaba o tapete vermelho ela abaixa, o recolhe e o estende novamente para poder continuar andando enquanto as pessoas ao redor ficam abobalhadas com a atitude da garota.
  Esse é o Colégio Adam, até então uma escola só para rapazes, nesse novo ano devido a problemas financeiros eles tiveram que abrir os portões para garotas também, com isso apareceram, muitas, MUITAS caça-dotes, e nossa heroína não tem vergonha alguma de admitir isso.
  Durante a cerimônia de boas-vindas o diretor, um Hard Gay (figura típica dos programas de humor japoneses, que é em suma uma versão nipônica do Pit-bicha, só que no caso o Hard Gay é o original) faz um discurso de boas-vindas que não tem nada de boas vindas, ele esculhamba todas as "vadias aproveitadoras que invadiram o seu jardim de flores com seus saltos imundos" sem nenhuma gota de piedade. Logo em seguida Eve Hanozono, a nossa protagonista vai ao banheiro feminino improvisado retocar a maquiagem (quem chegou a pegar a fase Sailor Moon vai reparar a homenagem à cena de transformação) e se depara com as outras garotas aterrorizadas com o discurso do diretor já que os seus sonhos de fisgar um riquinho aparentemente foram por água abaixo.
  Depois de retocar a maquiagem Eve vai conhecer suas vítimas, digo, seus potências interesses amorosos. Ela usa táticas nem um pouco sutis de aproximação e acaba sendo humilhada por alguns garotos. Desanimada ela vai alimentar sua cadelinha (aquela que estava dentro da bolsa) só que a cachorrinha sumiu e ela tem que procurar a coitada por toda a escola. Ela sai andando balançando uma salsicha canina canina pela escola (o que é uma piada horrorosa e sem graça) e de repente fica hipnotizada por um bonitão que aparece do meio do nada e vai em direção a ela e... come a salsicha. O bishonen em questão é Go Kodakara, aluno bolsista que depois de comer a salsicha canina percebe que Eve o está agarrando. Depois de esclarecem a situação ele disse que viu a cadelinha sim, a cachorrinha está no alojamento dos bolsistas. Eve na mesma hora delira e imagina bolsistas esportistas ricos. Quando chegam ao alojamento ela descobre o "ninho dos ricos e gostosos", é lá que fica o harém da Brasil (esse é o nome da Pug de Eve) que conquistou todos os rapazes e deixou a Eve morrendo de inveja. Os rapazes gostaram tanto da Brasil que Eve promete voltar no dia seguinte para busca-la (com intenção de rever todos aquelesrapazes bonitos), mas logo ela descobre que todos os bolsistas ali são selecionados a dedo pelo diretor para o seu "harém" particular e volta para casa decepcionada.
  Ao chegar em casa Eve entraga a sua mãe as fotos dos garotos que conseguiu tirar durante o dia, conforme lhe tinha sido dito, a mãe de Eve é dona de um Host Club chamado Deep Purpurin e sua mãe Mônica e as três "tias" Julie, Rumika e Bidemi começam a avaliar os garotos que Eve fotografou durante o dia. Mônica, mãe de Eve se casou por amor e deixa bem claro para a filha que não vale a pena casar por amor como ela fez, que o amor acaba e tudo o que sobra é uma vida miserável. Mesmo com a experiência horrível da mãe e as memórias do seu pai desaparecido ela não consegue esquecer como foi ficar abraçada com Go por todo aquele tempo.

 É um mangá bem interessante para quem quiser ler algo divertido e sem muito compromisso, nada é abordado com profundidade, mas mesmo assim tem assuntos interessantes. Eu não gostei do diretor Hard Gay, ele pode não abusar sexualmente dos rapazes,mas chega bem perto disso. Estereótipos são sempre ridículos, mas ainda assim ele tem cenas muito engraçadas. A melhor personagem da história sem dúvida é a Brasil, ela rouba a cena sempre que aparece, comprem para saber o motivo xD.
 O traço da autora melhorou muito com o tempo, está muito melhor do que em Galism e em Bijinzaka apesar da capa ser feia. A capa japonesa ainda consegue ser mais bontia que a nacional, o rosa berrante não ajudou em nada e o design mais delicado da versão japonesa me parecia mais interessante, mas eu não sou do tipo que compra um mangá pela capa (apesar de que quando eu não conheço um mangá o fator capa ajuda demais). Senti falta de ilustrações coloridas nas contra-capas T-T.
  O mangá está lindamente reconstruído, parabéns para a equipe da Mythos que trabalha para o Planet Mangá, não há nenhum quadro branco (exceto para indicar passagens de tempo), várias fontes foram usadas, as onomatopéias originais foram mantidas e as traduções estão lá. Não há nenhuma adaptação esdrúxula e ao que eu pude notar não há nenhum erro de português.
  O formato incomoda um pouco, é aquele grandão de Bleach e Naruto, mas como os outros mangás da autora também foram publicados neste formato fica mais bonito assim na estante. O preço ainda é o mais baixo do mercado, R$ 9,90.
  Recomendo a quem comprar que não faça a bobagem de deixar de ler o glossário. O glossário está lá para ajudar a entender melhor a história e tirar dúvidas, inclusive ajuda a compreender o motivo de certas referências como o duplo sentido que há no o sobrenome do Go e o capítulo que é nomeado com o perfume da Eve.
  No final do mangá há a propaganda com o resumo de Honey & Clover e Black Bird (outra resenha que logo pinta por aqui), ponto para a Panini que está anunciando e colocando resenhas em seus mangás. As editoras americanas fazem o mesmo e é assim que se instiga a curiosidade do leitor. Falta colocar as propagandas com mais antecedência para que o leitor possa preparar o bolso para os títulos que lhe interessam.
  A maior piada de todas é sem dúvidas o checklist de março no fim do volume. Nós estamos no meio de maio e o mangá era para março. Antigamente nós estavamos acostumados com um mês de atraso nas bancas em relação ao checklist, agora a diferença é de dois meses. As desculpas são sempre variadas, a última que eu vi é que a copa está atrasando a distribuição. Já passou da hora da Panini tirar o escorpião do bolso e contratar mais gente para trabalhar na Mythos no Planet Mangá, é triste ver que o pessoal da Mythos está sobrecarregado. Infelizmente a Panini valoriza muito mais os comics (que também atrasam sempre, nesse caso o atraso é generalizado), vide o destaque aos Supers e à Vertigo (que por acaso eu amo) dado no site da Panini, nos hotsites da editora(quantos mangás já tiveram hotsite?) e no Fórum.

Título - Bijojuku: Cursinho de Sedução
Autora - Mayumi Yokoyama
Gênero - Comédia/Romance
Formato - 13,7 x 20cm, 192 Páginas
Duração - 2 Volumes
Preço - R$9,90
Periodicidade - Bimestral (??)

2 comentários:

Ana disse...

Poxa, adorei essa resenha. Realmente vou comprar, apenas 2 volumes e sem contar que é da mesmo autora da Galims, ou seja Comedia garatida. xD

Parece que os mangás dela fazem sucesso aqui no Brasil, temos 4 titulos da Mayumi Yokoyama. =OO

Kadu disse...

Puxa, obrigado pelo elogio, recomendo baixar o primeiro capítulo de Galism na net antes de comprar. Volte sempre ^^.