sábado, 8 de outubro de 2011

[RESENHA] O Mito de Arata

Histórico  

  O Mito de Arata, ou Arata Kangatari é a primeira série shounen da famosa autora de mangás shoujo, Yuu Watase, o mangá foi lançado nas páginas da Weekly Shounen Sunday (lar de Kekkaishi, Zatch Bell, MÄR, Ranma 1/2, Inuyasha e várias outras obras conhecidas no Brasil) em outubro de 2008 e atualmente conta com 12 volumes e ainda está em andamento. O mangá é lançado nos EUA pela VIZ (e sempre aparece nos rankings de mangás mais vendidos), na França pela Kurokawa, na Alemanha pela Egmont e na Itália pela Panini.

Resumo

  Em um fantástico mundo alternativo chamado Amawakuni (País da Paz Celestial) vive um garoto chamado Arata, ele e sua avó Makari são uns dos poucos descendentes do clã Hime, as mulheres da família Hime são portadoras de um poder chamado Amatsuriki (poder que flui do paraíso) e por isso a cada 30 anos uma garota do clã Hime é escolhida para se tornar a Hime-ou, a governante de Amawakuni. A Hime-Ou é a única que consegue controlar os 12 Shinshous (bainhas de deus), que são os mais poderosos Shous (bainha). Um shou é uma pessoa que consegue controlar um Hayagami (deus-espada). Em Amawakuni os deuses têm forma de espadas com poderes místicos que escolhem aqueles vão controla-los e por sua vez são controlados pela governante, a Hime-Ou.
  Tudo estava correndo normalmente na vida de Arata (15 anos) até o dia em que a sucessão da Hime-Ou chegou, para sua infelicidade sua avó o registrou como mulher, pois fazia muitos anos que não nascia nenhuma mulher no clã Hime e os governantes ameaçaram matar qualquer menino que nascesse, para salvar a vida do neto Makari o registrou como uma menina e agora que chegou a época da sucessão da Hime-Ou ele deveria assumir o posto como sucessor da princesa, mas ele não pode assumir o cargo já que só as mulheres possuem o Amatsuriki, então para ganhar tempo enquanto procura em ramos mais distantes da família por alguma garota que possa assumir o cargo de Hime-Ou a avó o manda vestido de mulher para a capital com sua amiga-serva Kotoha. Quando chega ao palácio Arata é levado diretamente para a cerimônia de sucessão, mas a cerimônia é interrompida por Kannagi que fere mortalmente a Hime-Ou. Kannagi é um dos doze shinshous que deveriam proteger a Hime-Ou, entretanto os shinshous se rebelam contra o controle da Hime-Ou e aproveitam que ela estava distraída durante a cerimônia de sucessão para atacá-la, obviamente a culpa cai em cima do Arata que se torna um fugitivo procurado, ele foge para a floresta de Kando sem saber que as pessoas que entram nessa floresta são "devoradas" e transformadas em pessoas diferentes.

  Ao mesmo tempo em que a ação se passa em  Amawakuni, no nosso mundo um rapaz chamado Arata Hinohara (daqui pra frente ele será conhecido como Hinohara) está prestes a começar sua vida no colegial. Nova escola vida nova, ele quer esquecer de todo o bullying que sofreu e começar do zero. No metrô a caminho da nova escola ele desmascara e captura um tarado que bolinou uma mulher, com isso ele salvou também um colega da futura turma, Suguru, eles se tornam amigos, o primeiro amigo que Hinohara faz na escola. Por causa da captura do tarado, Hinohara se torna popular na escola e todos os clubes o querem e pela primeira vez ele tem amigos. Só que tudo muda com a chegada de Kadowaki, que foi um antigo colega de escola e principal responsável pelo bullying que Hinohara sofreu até então. Bullying pode acontecer por qualquer motivo, no caso de Hinohara o bullying aconteceu por ele ser atlético e modesto, para Kadowaki ele se achava "O Bom". E Kadowaki faz a vida escolar de Hinohara virar um inferno, novamente.
  
  Depois de penar um bocado na mão de Kadowaki, Hinohara foge e escuta alguém o chamando, ele é literalmente engolido pelos prédios e se vê em um outro mundo. Enquanto isso o Arata da família Hime depois de ser "devorado" pela floresta Kando se vê no nosso mundo. A partir daí o Arata vai ter que lidar com os problemas de bullying do Hinohara e o Hinohara vai ter que provar a inocência do Arata e derrotar os doze Shinshous.

Impressões

  O Mito de Arata é um mangá bem comum e clichê, garoto da Terra troca de lugar com garoto de mundo encantado aonde tem que salvar uma princesa ferida mortalmente, blablablá... E ainda assim consegue ser um ótimo mangá. É como eu costumo dizer, a diferença entre um bom mangaká e um mangaká mediano é que o bom mangaká sabe usar o clichê a seu favor. Yuu Watase começou sua carreira em 1989, são mais de vinte anos de uma carreira consolidada com vários mangás famosos em seu curriculum, inclusive dois deles foram lançados no Brasil pela Conrad (Fushigi Yugi e Zettai Kareshi).
  O Mito de Arata tem um traço lindo, é divertido e apesar de ter muito texto não fica cansativo, mal dá pra perceber o tempo passar, pois é muito divertido de se ler. Até o momento não é nenhuma obra prima, mas dá pra sentir empatia pelos personagens (principalmente com o Arata Hinohara, ele sofre muito) que são todos muito carismáticos, tanto os mocinhos quanto os vilões; os poderes místicos são bacanas; as situações (uma perguntinha: Por qual razão 90% dos protagonistas de shounen têm que dar um jeito de aparecer em um banho feminino e apanhar das garotas? Afinal, a tara é espiar as garotas no banho ou apanhar delas?) apesar de clichê ao extremo ainda assim funcionam muito bem.

Edição e Adaptação

  A edição está ótima, não dá pra perceber erros de edição (eu não notei nenhum), o acabamento gráfico está no padrão de sempre da Panini, papel offset, no mesmo formato que Naruto e Bleach, a impressão estava boa e no meu mangá não havia nenhum borrão nem efeito moiré (quando dá pra ver na página marcas da impressão do outro lado, também é chamado de efeito sombra), no verso das páginas foram colocadas as imagens que estavam no verso da capa original e dos comentários da orelha, mas vale ressaltar que não mantiveram uma das ilustrações que vinha na capa original.
  A adaptação está bacana, os sufixos honoríficos foram mantidos, os termos japoneses criados pela autora (Hayagami, Shou, Shinshou, Kamui, Hime-Ou etc.) continuaram em japonês e são explicados no glossário. Como se trata de uma história que se passa em um mundo fantástico japonês não vejo problemas em manter os honoríficos e termos japoneses. O glossário apesar de útil estava bem grandinho, foram três páginas de glossário. Daí eu me pergunto se realmente há a necessidade de tudo isso, se não poderiam usar apenas uma página e colocar as outras para fazer propaganda de novos títulos da editora? Não é implicância com o glossário, eu os acho muito úteis, mas algumas pessoas têm preguiça de ler páginas sem figuras e ficam de "mimimi" com o glossário, então eu acredito que deveria haver apenas o extremamente necessário.

Interessante notar que todas as capas de Arata formam uma única figura

Considerações Finais

  Eu gostei muito de O Mito Arata, daria uma nota entre 7.5~8 para esse primeiro volume, e recomendo a todo mundo que gosta de histórias de fantasia a comprar. A Yuu Watase se adaptou muito bem ao demográfico shounen e não dá nem pra notar que ela é uma experiente autora de shoujo, se você não souber que ela é uma autora de shoujo não vai perceber isso lendo Arata, O Mito de Arata é shounen até a medula.

  Infelizmente eu acho que esse título não vai ser muito bem recebido no Brasil, em primeiro lugar porque a Yuu Watase é autora de shoujo e os shounen-boys da vida (que infelizmente são a maioria dos consumidores de mangá) odeiam shoujo e costumam ter preconceito com os mangás shounen vindo de autoras de shoujo (já li alguns comentários infelizes por aí), por outro lado o público-alvo da Yuu Watase é o de consumidores de shoujo, consumidores de shoujo são mais flexíveis, mas acredito que entre um shounen e um shoujo eles vão optar por um shoujo e deixar o mangá da Yuu Watase de lado. Acho que foi uma escolha ruim da Panini lançar O Mito de Arata agora, por enquanto o mangá ainda tem 12 volumes, mas como é um shounen da Weekly Shounen Sunday a gente não sabe a quantos volumes pode chegar (pode acabar em 15 ou pode acabar em 60, não se sabe). Além disso a Yuu Watase tem muitas obras mais curtas e que são shoujo de fato, exemplos: Alice 19th (7 volumes), Imadoki (5 volumes), Ayashi no Ceres (14 volumes), antes de se arriscar com um shounen de uma autora shoujo deveriam criar um vínculo do público com ela (Yuu Watase não é Clamp, Tezuka ou Akira Toriyama para ter público cativo). Nos outros países em que Arata vem fazendo sucesso todas essas obras foram lançadas antes dele.

  É lógico que há a possibilidade de eu estar falando bobagem (espero que sim, eu amei o mangá) e das pessoas irem com a cara do título nas bancas e o levarem para casa, mas esse ano eu achei a maioria das escolhas de títulos da Panini muito infelizes. Se eu fosse a Panini e tivesse que lançar um mangá da Shounen Sunday eu lançaria Kami nomi zo Shiru Sekai (The World God Only Knows), Hayate no Gotoku (Hayate the Combat Butler), Zettai Karen Children ou até mesmo Ken'Ichi antes de pensar em O Mito de Arata que é um mangá praticamente desconhecido aqui no Brasil. Sejamos sinceros, ninguém falava nele antes de aparecer o anúncio do mangá pela Panini, até mesmo os fãs da Yuu Watase pediam outros títulos dela.
  Há um boato de que a série vai ganhar animê, eu vi isso no Shoujo Café e no Mision Tokyo. Espero que realmente aconteça, isso deve alavancar as vendas do mangá, mas se o animê estava programado para 2011 e nós estamos quase no fim do ano e não apareceu mais nenhuma notícia a respeito é bem provável que tenham cancelado o projeto ou não tenha passado de boato mesmo. Se aparecer uma animação no fim do ano muita gente pode correr atrás do mangá, mas ainda acho um mau momento para lançarem o mangá, deveriam esperar a animação sair e aumentar a popularidade da história antes de lançarem por aqui. O preço reajustado (R$10,90) também não parece muito convidativo pra quem quer tentar algo novo, pode não parecer muita coisa, mas para quem compra muitos mangás como eu, um real em um título pode fazer uma bela diferença e eu acho difícil alguém que não conhece nada sobre mangás optar por ele do nada. Espero que a capa que é muito bonita atraia compradores.


  Em suma, estou torcendo pelo mangá, é uma ótima história que merece ser lida, mas a Yuu Watase tinha muita coisa pra ser lançada no Brasil antes dele.

Título: O Mito de Arata (Arata Kangatari)
Autora: Yuu Watase
Formato: 13,7 x 20, 208 páginas
Duração:  12 volumes, continua
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Aventura, Fantasia.

6 comentários:

watchingthewheels disse...

Odeio quando você faz isso, Kuroi. Odeio quando você consegue mostrar de maneira tão competente os pontos positivos de uma obra que eu nem tinha intenção de comprar e você acaba me fazendo mudar de ideia.

Eu só não sei se vou comprar a versão da Panini ou da Viz, já que estou comprando os mangás da Watase dos EUA. Já tenho Absolute Boyfriend completo e estou comprando Ceres e Fushigi Yugi. Se eu realmente comprar Arata, ele será o último da minha lista de mangás da Watase, por ser shounen e o trabalho mais recente.

Portanto, eu concordo com o seu argumento de que foi uma pisada de bola da Panini ter escolhido trazer justamente Arata e não um shoujo da autora. Mas espero que Arata vingue por aqui e se o mangá sair regularmente e não virar um Otomen da vida que é lançado uma vez ao ano e olhe lá aqui, eu posso até comprar a edição brasileira.

Gustavo disse...

Eu tava muito na duvida se comprava ou não, mas como ja to comprando muita coisa acho que não vou comprar esse não, justo porque acho que vai ser um mangá mediano e não tem está completo aind, pode ter mil volumes e não gosto de parar de comprar no meio.Além de ser um mangá praticamente não comentado, realmente acho que a panine vacilou um pouco nisso é provavel que eles tenham pego por causa da panini da italia..mas enfim.

um comentario do cara acima,
Eu uma vez ou outra até compro mangá fora do brasil mas só quando é um titulo que dificilmente será lancado no brasil ou que ja esgotou ou que vai demorar muito a chegar.
Poruqe acho muito importante agent valorizar o produto nacional, pq quanto mais nós participarmos desse mercado mas qualidade ele vai ganhar.
Eu recomendaria a voce comprar a versão brasileira.

Pedro @snoopy_xxy disse...

Eu só me empolgaria com uma obra de Yuu Watase se fosse Sakura Gari ou um relançamento de Fushigi Yuugi, mas por outro lado, essa resenha me empolgou bastante. Devo dar uma chance a este novo lançamento da Panini.

Eduardo disse...

Bom, como nem tenho dinheiro pra ele, nem pegarei, mas nem me interessa muito também, se eu tivesse algum amigo por perto que comprasse, talvez eu lesse...

lillian disse...

Concordo com você ^^
Eu pensei em comprar o mangá, mas li alguns comentarios, digamos, "não muito bons"... ai desisti =/ mas essa sua resenha me fez mudar de ideia hauha ^-^ tinha lido sobre o mangá uma vez no Shoujo Café, que Yuu Watase estaria escrevendo um shounen, mas enfim... Parece que Yuu Watase tem muitos fãs aqui no Brasil...

c_youth disse...

Eu adorei O Mito de Arata!
Confesso que no começo, por birra, eu não queria comprar o mangá...Sou fã dos shoujos da Watase e fiquei inconformada por não trazerem Ayashi no Ceres, ou até uma série mais curta dela para o Brasil ;X

Mas não resisti ao traço e comprei! É um mangá extremamente cativante, divertido e de fácil leitura...Vale dizer que achei que a Yuu Watase trabalhou muito bem com a questão do bullying, me deixando realmente inconformada com a situação do Arata...

Sem contar que os dois protagonistas são ótimos! Gostei mais do Arata do mundo de fantasia do que do outro, mas por outro lado prefiro a saga do Arata que veio do nosso mundo...

Ps: Eu espero que a Panini aproveite para lançar outras obras da Watase quando alcançarmos as edições japonesas ^^