domingo, 16 de janeiro de 2011

[Resenha] Elfen Lied

  Elfen Lied de autoria de Lynn Okamoto foi originalmente lançado em capítulos na revista seinen Young Jump (casa de Gantz) e posteriormente coletado em 12 volumes tankoubon. A série foi publicada entre Junho de 2002 e Agosto de 2008 e entre 25 de Julho de 2004 e 17 de Outubro de 2004 um anime baseado na obra produzido pelo Estúdio ARMS foi exibido.
A capa engana, o traço é um lixo...
  O sucesso do anime, principalmente devido à divulgação pirata pela internet é o responsável por esta ser uma obra lançada por todo o mundo por diversas editoras diferentes. No Brasil a série está sendo lançada pela Editora Panini depois de anos de pedidos de fãs - aqueles que acompanham as comunidades das editoras de mangá no orkut devem se lembrar que esta era uma das obras mais pedidas pelos fãs de anime.

  Como o anime da série foi produzido alguns anos antes do final da publicação da série em mangá há várias diferenças entre as duas versões, a mais notória delas é o final. No mangá há mais explicações sobre a "biologia" das Dicornius, também há várias personagens que foram cortadas da versão animada.

  A série animada é composta por 13 episódios mais um OVA situado antes do final da trama, outra grande diferença entre o mangá e o anime é que aqueles que conhecem a história através do anime ficam pasmos com a falta de qualidade do traço. Para dizer o mínimo o traço do mangá é amador, com personagens estáticos e expressões faciais limitadas.
Ilustração da abertura do anime que imita a arte de Gustav Klimt

  A história começa com a Dicornius Lucy fugindo de um centro de pesquisas governamental de segurança máxima, com o descuido de um dos guardas Lucy consegue fugir, ela é uma Dicornius, no mangá os Dicornius são a evolução do homem atual, eles possuem a glândula pineal muito maior que o normal, um par de chifres (que parecem mais orelhinhas moezeiras, clichê do ecchi), força acima do normal (ela consegue arrancar a cabeça de uma pessoa com as mãos nuas) e a habilidade de telecinese através dos "vetores", os vetores são como braços invisíveis cujo comprimento varia de acordo com a força da(o) Dicornius.
  Ao mesmo tempo que Lucy foge do centro de pesquisas, o jovem Kouta chega à cidade de Kamakura em Kanagawa (enfim um mangá que não se passa em Tóquio). Kouta não conseguiu passar no vestibular da maioria das faculdades e só consegue entrar para uma das faculdades dessa região, então ele se muda para Kamakura para ficar hospedado na casa de parentes. Na estação ele reencontra com sua prima Yuka que não vê há oito anos, desde que uma tragédia aconteceu em sua família, ele não reconhece a prima que fica chateada com isso por ser apaixonada por ele desde criança (clichês do ecchi...). Os dois seguem caminho e passeiam pela praia, lá eles encontram com Lucy.
  Lucy está nua na primeira vez que eles se encontram (clichê ecchi) e por causa de um tiro que levou na cabeça durante a fuga também está desmemoriada (mais um clichê moe-ecchi) e só consegue dizer "Nyu", o que vai passar a ser como ela será chamada durante a série (é impressão minha ou há alguma semelhança com a Chii de Chobits? E nessa hora o alarme moe-ecchi já disparou). Kouta cobre a garota despida com a sua camisa e os primos resolvem acolher a moça desmemoriada, eles vão para a casa que será o lar de Kouta, um Ryoutei (espécie de restaurante de luxo cheio de salas privadas) que pertence à família de Yuka e que Kouta terá que cuidar enquanto estiver morando lá (afinal sai mais barato colocar um jovem universitário para cuidar de uma mansão do que pagar um caseiro). Por diversos motivos Lucy acaba morando com Kouta na casa imensa e para não deixar o primo sozinho com uma moça desmemoriada Yuka resolve se mudar pra lá também. Com o desenvolver da história várias garotas em situações problemáticas acabam se mudando para a pensão Hinata casa onde Kouta vai morar e o passado de Kouta, Yuka e Lucy começa a ser revelado mostrando que os três têm uma ligação mais forte do que eles sabem.

  A história de Elfen Lied não é nenhum primor, muito pelo contrário, é uma sucessão dos clichês que a gente costuma ver nos ecchis em geral. A trama foi feita pra deixar a gente com dó e sentir empatia pelos personagens. O passado dos personagens é tão trágico que parece até história de novela mexicana, tudo é feito para atrair a simpatia do leitor, as situações mais bizarras acontecem o tempo todo, pode acreditar que o autor apelou pra todo tipo de situação embaraçosa capaz de ser imaginada.
  O traço do mangá é uma titica, uma das características que define o que é mangá é a expressividade, a dinâmica das sequências, mangás são como story boards cinematográficos, alguns mangás são tão bem desenhados que você tem a impressão que os personagens estão prestes a se mover pelas páginas, em Elfen Lied é o inverso, é tudo estático e paradão. Eu desconfio seriamente que o autor deve ter aprendido a desenhar com aqueles livrecos que "ensinam a desenhar mangá" quando resolveu desenhar Elfen Lied, o traço é tão fraco que nem dá para comparar com nada (só com fanzine brasileiro), falta personalidade no traço do Lynn Okamoto, a única coisa que demonstra alguma personalidade é que ele tem uma tendência ao "chibi", todo mundo tem olhos enormes e parece feito sob medida para virar bonequinho de PVC.
  A edição da Panini está boa, há erros sim, mas são poucos, as onomatopeias foram mantidas e estão devidamente 'legendadas", no final do mangá há o glossário com explicações sobre os termos mais complicados e os sufixos de tratamento foram mantidos. A capa da frente é igual à original japonesa, mas na capa japonesa não há ilustração no verso e aqui a Panini optou por repetir a mesma imagem dos dois lados. Um problema aqui é que o aviso de que o mangá é recomendado para maiores de 16 está muito pequeno e escondido e eu soube que muita gente acabou comprando esse mangá cheio de ecchi e violência para crianças pequenas por causa da capa (bem-feito, quem manda julgar o livro pela capa).

  Enfim, esse mangá é um Guilty Pleasure, você se sente culpado por ler algo tão tosco feito sob medida para manipular seus sentimentos, cheio de uma profundidade falsa. Esse mangá um dramalhão raso cuja única finalidade é colocar garotas fofinhas em situações humilhantes e sofridas usando como desculpa o fato delas terem nascido como uma mutação genética. Esse mangá é tão tosco, mas tão tosco que você sente culpa por gostar de algo assim, mas é tão ruim que acaba viciando, é como assistir a A Usurpadora, uma sucessão de clichês com frases de efeito que de tão ruim acaba por divertir e fazer a gente querer mais.

Título: Elfen Lied
Autor: Lynn Okamoto
Demográfico: Seinen (??)
Gênero: Ação/Ficção Científica/Erótico/Violência/Comédia
Formato:13,7 x 20cm, 220 páginas em média.
Duração: 12 Tankoubons (concluído)
Preço: R$9,90
Periodicidade: Mensal (??)

14 comentários:

Anônimo disse...

mimimi, bom mesmo é aqueles agua com açúcar que voce indica.

Rodrigo disse...

Por que você não faz resenhas dos lançamentos? E você gosta desse titulo ou não?

Kadu disse...

Anônimo, sim, bom mesmo são os mangás "água com açúcar" que eu gosto.

Rodrigo, eu gosto do título, mas como eu expliquei é como filmes de terror toscos, funks, novelas etc. A gente sabe que é ruim, a gente sabe que não presta, a gente tem vergonha de admitir que gosta, mas curte mesmo assim. Apesar de toda tosqueira, situações forçadas objetificantes das garotas, ainda assim é bom pq diverte demais. É aquele mangá que é preciso tirar tudo da cabeça para ler.

Eu resenhei o Elfen Lied agora pq a resenha estava prometida para a época do Natal, Trigun eu resolvi resenhar pq li tudo durante o Ano Novo, mas pretendo retomar as resenhas de lançamentos, os próximos serão "Bem-Vindo à NHK" e "Gentlemen's Alliance Cross".

LINK#6065 disse...

Acho que o Kadu pegou bem pesado mesmo com elfen!!!
Mas eu te entendo, eu gosto da série e tal mas admito que ela é bem clichê de ecchi. O que fico mais "P" da vida com Elfen é que os Otakus noobs assitem/leêm Elfen e saem por aí falando que são "cultos" do mangá...que não leêm só Shonen e Ecchi. lol meros mortais...

Mesmo assim é um dos POUCOS mangás que compro atualmente e não me arrependo!

Kadu disse...

Puxa, Link, que bom que você entendeu o ponto, de maduro Elfen Lied não tem nada, é pura exploração da miséria humana (ou dicornius - :p) cheia de clichês feita para agradar adolescentes babões que se acham maduros lendo isso pq é cheio de ecchi e violência gráfica. É tão tosco que é bom, também não perdi nenhum número até agora.

Anônimo disse...

Puts... o cara nao sabe se elogia ou critica... O anime é legal, e so pra sabe... vc ja fez algum anime de sucesso? nao! intao cala a boca e curt.

Kadu disse...

Mais um anônimo covarde que não tem coragem de mostrar a cara.

Em primeiro lugar eu resenhei o mangá, então esquece o anime, "espertão".

Em segundo a questão não é gostar ou não gostar, eu gosto do mangá? Sim, eu gosto, mas não posso esquecer de mencionar os pontos falhos, a superficialidade e a violência e o fanservice gratuitos.

E a questão de ter feito ou não uma obra não me impede de criticar. O blog é meu e eu escrevo aquilo que eu quiser, se você gosta ou não do que eu digo o problema é seu. Se não gostou do que viu aqui então não volte mais. Não vou deixar de comentar os aspectios negativos da obra (que são muitos) por causa de um anônimo covarde que nem sabe escrever direito.

Roberta Caroline disse...

Bom, eu gosto bastante de suas criticas e analises, concordo com a maioria. E seu ponto de vista com relação ao mangá de Elfen Lied, é uma das coisas que discordo. Mas é assim, cada um absorve o que cada obra passa de uma maneira. Mas da mesma forma que existem aquelas pessoas que se consideram cults por gostar de Elfen, e a defendem como se fosse a oitava maravilha do mundo, tornando assim, sua opinião não tão relevante, também acho que você se enquadra nesse perfil, pois não vi imparcialidade em suas palavras. Não estou dizendo que é errado, afinal agente escreve sobre aquilo que gostamos ou desgostamos e mimimi. Cabe a quem lê, assimilar e ver se concorda ou não com seu ponto de vista. De qualquer forma, quem lê essa resenha, vai pensar uma, duas, três, quatro vezes antes de comprar o mangá, o que é uma pena. Pois realmente é clichÊ ( o que não é clichê hj em dia neh?), tem ecchi, o traço é feio, mas pouxa....a história é legal. Tem pessoas que amam esse gênero, essa coisa trágica que certas obras passam, então pra quem gosta de histórias com esse ponto de vista, Elfen Lied é muito bom e não tem nada de tosco ao meu ver (tirando o traço).

Miahku disse...

Kuro \o\
Esse ta valendo a pena comentar.
Comprei até o vol 7 de elfen, e falei "CHEGA!"
Não gasto mais meu dinheiro com isso.

Eu tava engolindo o traço porco por nostalgia do anime.
Mas, meu, que que é aquilo?
A história não tem nexo. Eu Sou viciado em histórias que fazem você pensar e ler trinta vezes pra entender.
Mas Elfen, simplesmente, ta um lixo.

Enfim. Eu ainda amo o anime. Mas o manga conquistou meu desprezo.

Kadu disse...

Gostei, Roberta, você argumentou e é isso que vale.
Bom, toda resenha é a opinião de alguém, não dá para eu dar a minha opinião e ser imparcial ao mesmo tempo, se fosse para tentar ser imparcial (já que a imparcialidade não existe) eu teria feito um resumo e não uma resenha.

Eu jamais disse que não gosto da obra ou que não a acho legal, sempre que eu compro um volume eu não consigo parar antes do final.

O que eu quis dizer com a minha crítica é: É válida a degradação humana presente no mangá? E as meninas novinhas seminuas ou completamente nuas, é algo legal?
Minha opinião é diferente da sua, eu só vejo um autor moezeiro que gosta de desenhar menininhas sofrendo para que o leitor da série fique com peninha delas e diga: - Moe, moe!!
A trama apesar de divertida não possibilita leituras mais profundas, é uma obra plana e o discurso é bem vazio.
Algo que me incomodou muito aconteceu no volume 7, a Nana disse que queria casar com o pai de criação, mais uma vez o autor usa a degradação humana (a Nana ter sido criada como um animal) para justificar um fetiche doentio (incesto) japonês, afinal, quem poderia condenar a pobre Nana que sofre de Síndrome de Estocolmo e seu ex-papai e carrasco e futuro marido?

A série tem um fandom imenso, muita gente se decepcionou com o traço desleixado do autor, mas mesmo assim deve ser um dos mangás mais vendidos da Panini, já que não atrasa e está sempre pontualmente nas bancas todos os meses (isso quando não adiantam).

Kadu disse...

Valeu pelo comenrtário, Miahku. o/

Dark Knight disse...

Não sabem se o manga vai ser vendido em portugal??

Kuroi disse...

Dark Knight, não sei nada de Portugal, infelizmente. Só sei que tem algumas lojas que importam os mangás brasileiros, tente ver com eles se não importam o mangá pra você. No Brasil dá pra pedir números atrasados nas bancas sem taxa de frete, mas Portugal eu não faço a mínima ideia de como funcione.

gabriel h disse...

Meu deus! desceu o pau em elfen lied! o traço não é dos melhores mesmo. porém a história é muito boa! a história do mangá é bem melhor doque a do anime, muito emocionante! um dos meus animês e mangás preferidos.