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domingo, 25 de novembro de 2012

[Resenha] RG Veda


  O mais recente mangá do Clamp lançado no Brasil pela JBC é a série RG Veda, mangá completo em 10 volumes tankoubon publicado pela primeira vez na revista Wings (Antique Bakery, Earthian, Princess Princess, Tokyo Babylon) da Editora Shinshokan entre 1989 e 1996. RG Veda também ganhou dois OVAs e dramas cd. Além disso alguns personagens da série reaparecem na série Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE também publicada no Brasil pela editora JBC.

Resumo

  RG Veda é uma adaptação livre feita pelo Clamp sobre o Rigveda, livro de hinos da mitologia hindu que contém louvores aos deuses. RG Veda conta a história do Samraat Yasha que liberta a última criança do exterminado Ashura, a profecia é que quem encontrasse o Ashura seria morto por ele e teria seu clã exterminado. O clã Ashura foi exterminado há 300 anos quando o general Taishakuten deu um golpe de estado e matou o Rei Celestial que mantinha a paz no mundo celestial e terrestre, com isso o usurpador Taishakuten se torna o Imperador, mas há a profecia de que o Ashura virá para matá-lo com outras seis "estrelas" que mudarão a ordem do céu.

 Arte

  A arte do Clamp está muito bonita e dá pra notar os protótipos de vários personagens na obra. Yasha é muito parecido com o Seishirou de Tokyo Babylon e X, O anjo negro lembra vários personagens entre eles Yuuto Kigai de X, A Gigei lembra vagamente a Princesa Esmeralda e a Kuyo é obviamente uma versão adulta da Hinoto-hime de X. Também percebemos a grande influência de Saint Seiya/Cavaleiros do Zodíaco na arte do Clamp (elas começaram a carreira fazendo doujinshis dele), o par Yasha/Shiryu e Ashura/Seiya fica bem óbvio pra quem prestar atenção. As armaduras e alguns personagens coadjuvantes parecem saídos diretamente de algum volume de Saint Seiya.
  É muito bacana ver como o estilo de arte evoluiu com o passar dos anos, RG Veda grita final dos anos 80 e acho que o único defeito da arte é que elas não sabiam desenhar cenas de luta e continuam sem saber até hoje (atualmente a confusão consegue ser pior, vide Tsubasa e Gate 7).




Adaptação

  Como é uma adaptação de um material livro mitológico antigo no começo a obra pode parecer maçante, mas ela vai se tornando mais dinâmica e da metade para o final do primeiro volume já está bem interessante. O linguajar rebuscado, pode encher um pouco a paciência no começo, mas conforme a história progride ele fica mais natural e menos forçado.
 O ponto mais baixo de todo o mangá é a quantidade absurda de notas explicativas. Gostaria de saber o que a JBC tem contra glossários, será que eles acham que uma ou duas páginas de glossário vão encarecer demais o mangá? Ou que os leitores são tão burros que não conseguiriam encontrar o glossário no final do volume? As primeiras páginas são tomadas com tantas notas, dando uma aparência bagunçada e suja. Não tenho nada contra notas, desde que sejam breves, não gosto de ver "dissertações" no meio das páginas, fica horrível, a letra é pequena demais etc. etc. etc. Me lembra os primeiros volumes de Hikaru no Go (mas Hikaru no Go conseguia ser pior na quantidade de notas, tinha páginas que ficam pretas pela quantidade absurda). JBC, faça um favor a seus leitores passe a usar glossários se a explicação for grande, o que nós temos são verbetes no meio do mangá, feios e ruins de ler, quem tem problema de vista provavelmente sofre com isso.
  Outra coisa que não entendi foi terem colocado @ Ashura como se fosse uma menina, @ Ashura do mangá do Clamp pelo que eu saiba (sou fã do Clamp, mas nunca fui fã de RG Veda e estou dando uma chance por causa do lançamento nacional) @ Ashura é um personagem sem sexo definido (como @ Kohaku de Wish, @ Hana de Gate 7 etc. é muito comum personagens neutros nos mangás do Clamp), no português o correto seria usar o para os indefinidos.

Qualidade Física 

A qualidade física está ótima, mantiveram as páginas coloridas e o papel usado apesar de não ser branco realmente é de qualidade melhor do que o usado habitualmente, o mangá é bem mais grosso do que um tankoubon brasileiro comum, apesar de ter a mesma quantidade de páginas. O formato é um pouco menor do que o normal, mas isso não me incomodou nem um pouco, deu para apreciar bem a arte sem problemas.

Considerações Finais

  RG Veda é um mangá cult do Clamp, cult no Brasil e apesar de ter demorado já era hora dele ser publicado no Brasil, os fãs do Clamp vinham pedindo esse mangá há muito tempo. Se for pra avaliar apenas pelo primeiro volume eu não diria que é um mangá indispensável na coleção, mas vou continuar acompanhando a série, se ela tem tantos fãs e tanta gente diz que é o melhor um dos melhores mangás do Clamp deve haver um motivo para isso. Pela arte e qualidade geral do mangá eu recomendaria a compra, é quase um "artbook em preto e branco", se você é fã dos mangás do Clamp eu diria que realmente é indispensável.


Título:RG Veda
Autor: Clamp
Formato: 13,7 x 20, 180 páginas
Duração:  10 volumes, concluído
Periodicidade: Mensal
Preço: R$11,90
Demográfico: Shoujo
Gênero: Épico, Ação, Drama

terça-feira, 11 de setembro de 2012

[Resenha] Black Butler (Kuroshitsuji)



  Olá Pessoal, essa é a primeira resenha preparada para o Mangá Fã que não foi feita por mim, Kuroi. Como não pretendo colecionar a série Kuroshitsuji (e como também não recebi de cortesia da Panini) pedi para uma amiga preparar essa resenha, ela foi escrita pela Lulu Tsuki que é a "colunista" convidada de hoje.

  Bom, esta é minha primeira participação nesse blog, espero que todos gostem! Aceito críticas,
sugestões e tudo o mais!

  Black Butler é o nome que o mangá Kuroshitsuji recebeu nos Estados Unidos e, curiosamente,
também foi acatado no Brasil. A primeira série do anime teve 24 episódios, a segunda série
teve 12 e ainda tem um OVA. O mangá sai no Japão pela editora Square Enix (a mesma de
Fullmetal Alchemist, não sei se por essa razão o título em inglês prevaleceu) e já conta com 14
volumes por lá. Aqui no Brasil, a série será lançada bimestralmente.
  Adendo do Kuroi: Na verdade algumas vezes a própria editora original planeja um nome internacional para a série. Não sei se esse é o caso, mas a série foi lançada como Black Butler nos países do ocidente em que foi lançada (inclusive na Itália, onde também foi lançada pela Panini). E no caso de Fullmetal Alchemist, a série já tinha esse nome em inglês (que era uma espécie de subtítulo) muito antes de sair do Japão e isso pode ser visto em muitos produtos antigos da franquia.

  A história se passa na Inglaterra, mas não dá pra precisar o ano. A autora se espelha na era
Vitoriana para criar cenários, vestimentas e até mesmo a caracterização dos personagens ,
mas não é incomum nos depararmos com aparelhos eletrônicos modernos, tais como celulares
ou até mesmo jogos de videogame. O protagonista, Ciel Phantomhive, é o patriarca do clã
Phantomhive apesar de ter somente 12 anos. Mora somente com os empregados em uma
enorme mansão e tem um temperamento meio difícil. Sebastian Michaelis é o mordomo de
Ciel. Sempre vestido de preto e o mais eficiente possível , administra todos os setores da casa
de forma impecável, chefiando os demais empregados. Todas as pessoas que convivem com
Ciel admiram a presteza de Sebastian, mas ninguém desconfia de que ele é muito mais que
um “simples mordomo”.

  Aqui cabe uma breve explicação: dependendo do ideograma utilizado para escrever a
sentença “simples mordomo” (akumade), é possível também traduzir como “demônio” . O
trocadilho funciona bem no idioma japonês, mas ao trazer para o Brasil tornou-se intraduzível
e o máximo que deu pra fazer foi colocar uma fala do Sebastian dizendo um isso “Um simples
mordomo... que também é demônio”.

  Falar mais sobre o mangá traria spoilers a quem ainda não leu, ainda que seja uma obra
bastante conhecida. Sobre a edição brasileira, conta com as já conhecidas notas, embora em
uma delas esteja faltando a definição (p. 120 “Whitechapel”). Também dá pra perceber uns
errinhos de digitação (ou concordância, não dá pra saber), mas nada que seja tão bizarro a
ponto de mencionar, afinal, erros acontecem.

  No mais, o mangá está bem editado, a capa e contra-capa ficaram excelentes e a folha de
rosto ficou com os detalhes em vermelho como no original. Vale a pena dar uma olhada,
leitura obrigatória para quem gosta de histórias como as de Conde Cain, mas com leves pitadas
de Otomen.

Título: Black Butler (Kuroshitsuji)
Autor: Yana Toboso
Formato: 13,7 x 20, 180 páginas
Duração:  14 volumes, em andamento
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Comédia, Ação, Aventura, Luta, Drama

sábado, 18 de fevereiro de 2012

[RESENHA] One Piece #01

  
  One Piece é um mangá que dispensa apresentações, pelo menos aos fãs de anime e mangá. O anime da série (descaracterizado e deformado pela 4Kids, é bom dizer) foi exibido no Brasil na TV a Cabo pelo Cartoon Network e em TV Aberta pelo SBT. O mangá também já foi publicado anteriormente pela Editora Conrad, em formato meio-tankoubon tendo sido publicado até a edição 70 (que equivaleria ao 35), os motivos do cancelamento da série pela Conrad não são claros, mas é altamente improvável que uma série que tenha chegado até o volume 70 tenha sido cancelada por baixas vendas, até mesmo porque a Conrad nunca teve medo de cancelar nada e inclusive boa parte dos volume em meio-tankoubon estão esgotados.

  No Japão não tem para mais ninguém, é de longe o mangá mais vendido no país do sol nascente e inclusive já bateu os recordes de venda de Dragon Ball. Os novos volumes do mangá têm tiragem de 3.5 milhões de exemplares e chegam a vender até 2 milhões apenas na primeira semana. O último volume que saiu no Japão (65) vendeu 1.934.961 exemplares em apenas dois dias de venda e ficou em primeiro lugar no ranking de vendas da Oricon (uma espécie de IBOPE japonês que faz rankings de quase tudo, passando de músicas até quadrinhos) na semana de 30/01-05/02 e manteve a primeira colocação na semana de 06/20-12/02 vendendo mais 617.720 e acumulando um total de 2.552.721 exemplares vendidos em apenas nove dias de vendagem.  Esse desempenho não é tão grande no resto do mundo, é um dos mangás mais vendidos da França, onde está em pé de igualdade com Naruto e vende bem nos Estados Unidos sempre aparecendo no ranking dos mangás mais vendidos do The New York Times quando há o lançamento de algum volume novo.

  Para quem acompanha o blog há pouco tempo eu sempre fiz campanha para a Panini tomar os direitos de One Piece e inclusive fiz no ano passado um levantamento com os leitores do blog para saber quais mangás eles gostariam de ver lançado no Brasil que foi um sucesso com mais de 500 pessoas deixando comentários e deu origem a uma enquete que recebeu 10.161 votos e foi encaminhada para a Panini, e eu espero que essa enquete tenha sido um estímulo à Panini para trazer esse mangá ao Brasil.


DADOS TÉCNICOS

  Publicado semanalmente pela Shounen Jump desde 4 de agosto de 1997 One Piece é um mangá que mistura humor, aventura, drama, ação e muitas lutas e atualmente conta com 65 volumes compilados e ainda está em publicação (não se espantem com o número, a história é ótima), também possui quatro Databooks e 4 Artbooks. O anime da série já passou dos 500 episódios e já foram produzidos 10 filmes para o cinema e alguns curtas, há também dois OVAs anteriores à estreia do anime.


IMPRESSÕES

  A Panini fez um trabalho muito cuidadoso, sem dúvida é o projeto mais ambicioso produzido até agora pela linha de mangás da Panini. Apesar da qualidade normal (não tem como fazer em qualidade luxo um mangá que pode durar mais de 100 edições) o cuidado é excepcional, a capa que era o que mais me preocupava apesar de feia no computador ao vivo está muito bacana, bonita até (ainda preferiria o original, mas...). Não tem páginas coloridas, no original também não há (páginas coloridas estão apenas na revista semanal), mas os extras das orelhas do original forma mantidos na parte de dentro (assim como todos os outros mangás da Panini). A edição de imagens está muito boa, não dá pra ser notada e as onomatopeias foram mantidas no seu original. Os sufixos originais foram mantidos, todos os -san, -sama, -kun, -senpai que estavam no original estão lá, não que sejam muitos, One Piece é um mangá bastante informal, então você verá poucos honoríficos na obra, o que eu mais senti falta foi o "título" do volume, todo volume de One Piece é nomeado com o título de um capítulo, o primeiro volume é chamado de Romance Dawn (raiar/despertar do romance/aventura) e como vocês podem checar ele está presente na capa original, mas não na capa da Panini.
  Nesse primeiro volume temos 208 páginas de história e capítulos são 8 (são "só" 657 atualmente, mas passa tão rápido que vocês nem vão perceber). Uma das coisas mais bacanas ao reler a história foi notar como a arte do Eiichiro Oda progrediu durante esses 14 anos de mangá e de como a história foi ficando mais profunda, os cenários mais elaborados e as cenas de ação mais impactantes. Não que esse primeiro volume não tenha sido divertido, foi muito bom, mas em comparação com os volumes atuais é só uma amostra do que One Piece viria a se tornar.


Considerações Finais

  One Piece foi o mangá mais aguardado dos últimos tempos, não há o que se discutir. O retorno às nossas bancas já era esperado e a Panini foi quem o trouxe de volta às bancas brasileiras no acabamento gráfico padrãoda editora , e produzido com muito capricho pelo pessoal da Mythos que está dando a esse grande título toda a atenção que ele merece. A tradutora Drik Sada, está tendo inclusive contato com o autor Eiichiro Oda para os detalhes de adaptação. A editora Panini está pegando pesado com o título e dando a devida atenção que ele merece. Os resultados a gente já vê: volumes esgotando nas bancas virtuais e tendo que ser recolocados, a assinatura indo muitíssimo bem, muita gente reclamando que não está encontrando o mangá nas bancas... Tudo o que a gente espera de um grande sucesso, só me resta desejar a One Piece um belo desempenho e que navegue pelas bancas em sua mais bela jornada.


Título: One Piece
Autor: Eiichiro Oda
Formato: 13,7 x 20, 210 páginas
Duração:  65 volumes, em andamento
Periodicidade: Mensal
Preço: R$10,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Humor, Ação, Aventura, Batalha, Drama, Épico

+

P.s.  Ooops, mas vocês acham que acabou? Não, não acabou, não!! Eu recebi da Panini três conjuntos One Piece 01 + One Piece 36 para sortear aqui no blog. Eu iria sortear na sexta-feira, mas como é carnaval e muita gente está viajando eu resolvi adiar a promoção para a quarta-feira de cinzas. Como está todo mundo sorteando através do Twitter nesse verão eu decidi fazer algo diferente: Vocês vão ter que provar que são fãs de One Piece e que acompanham o blog há um bom tempo. Na quarta-feira eu vou lançar um jogo de perguntas e respostas, as três primeiras pessoas a responderem corretamente a todas as perguntas levam os mangás One Piece #01 e #36, para participar basta ser inscrito no Google e seguir o blog através do Google Friend Connect (a primeira ferramenta do lado direito do blog).

[RESENHA] One Piece #36 MUITOS SPOILERS


  Foi muito interessante ler One Piece #36 e ler One Piece #01 ao mesmo tempo, deu pra comparar bastante a evolução em história, traço etc. Em One Piece #36 a série está em um de seus melhores momentos, é o ápice da saga Water7/Ennies Lobby, uma das sagas mais aclamadas pelos fãs do mangá, talvez a saga favorita.


RESUMO DOS ACONTECIMENTOS ANTERIORES

  O que aconteceu nos volumes anteriores? A misteriosa membro Nico Robin sumiu; Iceburg-san, prefeito de Water7 sofreu um atentado e os principais suspeitos são os Mugiwara (chapéu de palha em japonês, o apelido do bando); o Going Merry, barco que eles ganharam da Kaya (paixonite do Usopp) está condenado devido aos "bons tratos" que ele sofreu nestes três meses de viagem o que ocasionou uma terrível discussão entre Luffy e Usopp que depois de uma briga física resolveu deixar o bando pra trás e cuidar do Going Merry. Ao mesmo tempo em que o bando está desunido com o debando de Usopp e o sumiço de Robin a ilha de Water7 está prestes a sofrer a gigantesca inundação anual chamada Acqua Laguna que cobre a ilha inteira e obriga a todos que busquem refúgio ou tomem o trem do oceano para algum lugar seguro.


ACABAMENTO

  Acabamento físico padrão da editora, foram mantidos os sufixos honoríficos, onomatopeias originais, a edição de imagens está imperceptível, todos os extras estão lá, a imagem da orelha do mangá original está na capa de dentro junto com o comentário do autor, os SBS estão presentes, assim como a imagem para colorir (sim, especialmente para vocês que detestam quem pinta mangá o Oda coloca imagens para serem coloridas de extra - xD). A capa ficou muito bonita, mas ainda sinto falta dos mapas, sempre sentirei. xD


HISTÓRIA

  Luffy não entende o motivo dos carpinteiros da Galley-La Company o estarem atacando, ao mesmo tempo Franky, o gangster da Franky Family de desmanche e roubo de navios está lá lutando com Luffy de quem roubou o tesouro que os Mugiwara "roubaram" em Skypeia, a ilha do céu. Durante a luta ele descobre que eles são acusados de entrarem a noite na casa do Iceburg-san (prefeito e dono da Galley-La Company), Nico Robin foi vista ao lado de um mascarado que atirou em Iceburg-san. Nesse volume também, finalmente somos apresentados aos membros da Cypher Pol. Number 9, espiões e policiais secretos do Governo Mundial que renderão algumas das lutas mais épicas da história do mangá.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

  Temos nesse volume alguns momentos especiais, muita tensão em um dos melhores arcos do mangá. A Robin finalmente começa a crescer como personagem e em breve teremos o flashback com todo o passado dela (na minha opinião é o momento mais emocionante do mangá inteiro) e a explicação do motivo dela se tornar uma procurada pelo Governo Mundial aos 8 anos de idade e ser considerada um "Demônio de Ohara". A arte, as sequências de ação progrediram de forma absurda do volume 1 para o 36, é difícil de comparar, os ângulos, a agilidade, a sensação de movimento que as sequências passam, é sensacional. A pior coisa nisso tudo é ter que esperar até abril para poder ler o volume 37.

sábado, 10 de dezembro de 2011

[Resenha] Blood Lad


Dados Técnicos

  Blood Lad é um mangá de humor publicado na Young Ace (casa de MPD - Psycho, Kurosagi Delivery Service of Corpse, Evangelion, Summer Wars) da Kadokawa Shoten. O mangá sai em capítulos mensais desde 2009 e atualmente conta com 5 volumes e ainda está em andamento. O autor não possui outras obras relevantes no catálogo. Há boatos de que uma adaptação em anime estreará em breve. Ao que parece Blood Lad está em reta final, ultimamente a Panini tem optado por lançar mangás em reta final, mas isso não adianta muito se o mangá acabar e os poucos volumes restantes não forem publicados por aqui (Guin Saga, por exemplo, a adaptação em mangá acabou com 6 volumes e não sai nenhum volume novo desde fevereiro apesar do volume final ter sido lançado em abril).

Capa original, praticamente idêntica à versão brasileira

Resumo

Staz é um vampiro (nesse caso ele está mais para um demônio, não é um vampiro muito parecido com a nossa "visão ocidental") e chefe da seção leste do Makai (a versão japonesa do inferno que não é nem um pouco parecida com o nosso inferno cristão). Ele se mantém como chefe defendendo o seu território de desafiantes invasores, mas na verdade ele não está muito preocupado com isso, ele está mais preocupado com seu hobby de colecionar quinquilharias otakus do mundo dos humanos, Staz é um vampiro otaku que não liga para velhas tradições como usar capas esvoaçantes ou sair por aí bebendo o sangue das pessoas.
  Um dia aparece do nada uma humana no Makai, os subordinados de Staz a capturam e a levam para ele, finalmente ele vai poder agradecer a um ser humano por terem inventado o Playstation e o celular. Além de tudo essa garota é bonita e está usando um uniforme de marinheira, com isso Staz se apaixona a primeira vista, mas como nem tudo são flores eles nem têm tempo de conversar direito já que aparece um mané pra desafiar o seu território.
  Staz derrota o mané que usava flores carnívoras para lutar com um único golpe e volta para ver como estava a sua linda humana, mas ao chegar no seu apartamento a surpresa: Ela morreu, foi devorada por uma das flores (quem conhece pokémon pode imaginar uma weepinbell) que havia escapado e agora virou uma alma penada, ou seja, o Staz perdeu todo o "entusiasmo" que sentia pela tal garota que agora era só mais uma assombração no meio de tantas outras, por isso esse Orfeu invertido jura que vai trazer essa menina de volta à vida nem que precise ir até o mundo humano para fazer dela a sua primeira presa.

Impressões

  Era pra ser um mangá de humor, tem umas situações bem nonsenses, mas a adaptação ficou meio travada, nem é muito culpa da Panini, no geral a tradução não estava travada, é mais uma questão de "choque cultural", dá pra entender as piadas, mas poucas funcionam, imagino ter dado umas 4 ou 5 risadas nas 180 páginas, de qualquer forma o mangá é bacana mesmo sem a parte de humor. Imagino que muitos trocadilhos foram perdidos com a tradução, esse é um dos problemas com mangás de humor, dificilmente eles funcionam traduzidos. Teve uma batalha contra um Oni (espécie de ogro) homossexual, deu pra perceber que a Panini se segurou bastante pra não ofender ninguém e ficar "politicamente correto", claro que isso é uma visão particular, mas eu acho que se tratando de humor deveriam deixar o politicamente correto e colocar umas gírias tipo "aloka, arrasou, bofe, mona etc.", o tal Oni ficou muito contido e no máximo chamava as garotas de fofa e queridinha, se é um mangá de humor badass o importante é manter o "espírito da obra" que definitivamente não é ser contido. No fim das contas alguém sempre vai se sentir ofendido mesmo.
  O traço da autora é competente, para a primeira série está bom, mas ainda espero ver progresso nos próximos volumes. É impossível deixar de comparar o Staz com o Murdoc e o 2D (uma mistura dos dois) e o Dekk com o Russel Hobbs eles parecem mesmo, será que vai aparecer mais alguém parecido com membros dos Gorillaz nos próximos volumes?

Acabamento

  A edição está bacana, eu conferi o primeiro capítulo e eles editaram o que havia para ser editado, os quadros brancos realmente já estavam lá na versão original, não estão ali por preguiça de editar imagens. As falas estão bem centralizadas e o formato quadrado é bom por não cortar a imagem e nem comer as beiradas.
  Minhas críticas são com as páginas coloridas que havia no original que estão escuras demais, impossível de entender as ilustrações. Tudo bem não estarem coloridas, esse é o normal por aqui, mas poderiam ter dado um jeito de deixar os desenhos inteligíveis pelo menos (acho que essa é a maior crítica ao mangá). Na página 182 no 6º quadro faltou uma legenda com a tradução da placa que diz Third Eye (nome do bar que é o "ponto de encontro" da galera do mangá) que está em katakana. Aliás, preciso dizer que prefiro ver essas placas traduzidas do que com legendas, nesse caso as letras parecem ter sido desenhadas pelo mangaká então há uma desculpa para não editarem, mas não há desculpa para não haver a legenda (o que se repete no último quadro da página seguinte quando mostram a placa novamente).
  Outra coisa que poderia ser melhorada é a variedade de fontes, até tem fontes diversas, mas poderiam usar fontes mais "arrepiantes", afinal, é um mangá com assombrações, no original japonês sempre usam dezenas de fontes diferentes, o mesmo deveria acontecer com o português.
  Foi mantida a capa da versão japonesa com a parte da frente e de trás mantidas, a capa parece meio "borrada", mas é assim no original também, eu estranhei bastante quando vi. A parte de dentro da capa não está coloridas, mas foram mantidas as piadinhas do original que eram em preto e branco mesmo.

Essa é a primeira página da história que está borrada de tão escura na versão nacional.

Essa é a página dupla de abertura que está impossível de ser apreciada na versão nacional. 

Considerações Finais

  Blood Lad é um seinen bacana de se ler, a leitura é rápida, os personagens são interessantes, o protagonista não é um banana irritante (isso já é um graaande avanço), as piadas não funcionam muito, mas é como é um mangá legal e só tem cinco volumes e já está em reta final vale a pena continuar comprando. Apesar de se rum seinen está bem longe de ser um Homunculus, Seton ou Astral Project, aliás, é bem diferente de tudo que eu já vi ser lançado por aqui, mais um motivo pelo qual vale a pena comprar, lembra bastante um mangá da Shounen Jump bastante conhecido aqui no Brasil pelo anime (e por scans) chamado Beelzebub (que seria uma ótima pedida vir pela Panini) que também é um mangá de humor com demônios e delinquentes.


Ficha Técnica

Título: Blood Lad
Autores: Yuuki Kodama
Formato: 13 x 18, 190 páginas
Duração:  5 volumes, em andamento
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Seinen
Gênero: Humor, Ação, Aventura

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

[Resenha] Tokyo Mew Mew


Dados Técnicos  

  Tokyo Mew Mew é uma série que muita gente deve ter lembranças, foi exibida no Brasil com o nome de "As Super Gatinhas" pelo canal a cabo Cartoon Network e o Boomerang. Apesar do anime ter sido retalhado ao extremo e descaracterizado existe um certo grupo de fãs que curtiu a série na infância e que aguardava a vinda dessa série ao Brasil. O mangá foi serializado no Japão entre os anos 2000 e 2003 na revista Nakayoshi da Kodansha e foi criado com o objetivo de gerar o anime (fato que pode ser lido nos freetalks do mangá) de 52 episódios e muitos outros produtos como jogos de videogame para garotas, cds, brinquedos etc.

Resumo
  Tokyo Mew Mew é um mangá para garotas novinhas entre 9 e 12 anos, conta as aventuras de Ichigo Momomiya e mais quatro garotas que estavam passeando em um museu sofreram um acidente e receberam os genes de animais em extinção. Com os genes dos animais em extinção elas ganharam superpoderes para lutar contra o mal, e de quebra um visual kawaii com cabelos coloridos, orelhinhas de bichinho e uniformes cheios de frufrus.
  As "Mew mews" são recrutadas para usar o poder que ganharam para lutar contra alienígenas que querem dominar o planeta usando monstros manipulados geneticamente e poluição para acabar com os humanos.

As Mew Mews são:
Ichigo Momomiya, possui os genes do Gato de Iriomote, sua cor é o rosa.
Mint Aizawa, possui os genes da Vini peruviana, sua cor é o azul.
Lettuce Midorikawa, possui os genes do Boto do Índico, sua cor é o verde.
Pudding Fon, possui os genes do Mico Leão Dourado, sua cor é o amarelo.
Zakuro Fujiwara, possui os genes do Lobo Cinzento, sua cor é o roxo.


Impressões

  A principal impressão que fica quando se lê o mangá é que ele não é feito pra garotas de 9 a 12 anos, é de que ele é feito pra menininhas de 4 a 7 anos, é infantil demais! O principal problema do mangá não é ser infantil, é subestimar a inteligência do(a) leitor(a). Não é por ser uma série feita pra criancinhas que precisa ser ruim, "As Garotas Super Poderosas", por exemplo, é ótimo, já "Tokyo Mew Mew" é sempre mais do mesmo: A Ichigo tenta namorar com o Aoyama, aparece um monstro que a atrapalha, as mew mew fazem gracinhas, correm risco, uma delas aparece (ou ganha um golpe especial) e elas derrotam o monstro, é assim durante os seis primeiros volumes. O final foi bacaninha, não foi nem um pouquinho surpreendente, mas foi em média bem melhor que a série (da metade do volume 6 para o final deu uma "esquentada"). Vale mencionar também o one-shot que ajuda a ocupar páginas no volume final foi bem legal.
  A arte da autora é péssima, é um dos piores mangás já publicados no Brasil na categoria traço, entre os títulos da Panini só perde pra Elfen Lied(e seus bonecões de posto) no quesito traço feio, mas preciso ser honesto e admitir que a autora evoluiu muito, MUITO mesmo ao longo da série, o final está bem desenhado.
  Tem quem reclame que os Nyah! da Ichigo deveriam ter sido substituídos por Miau!, confesso que como não assisti o animê nem percebi isso.

Acabamento

  O acabamento da Panini foi bom, as páginas são no papel de sempre, não há páginas coloridas, mas tem várias ilustrações coloridas no verso das capas (que já virou marca registrada da Panini) que são uma graça. Os honoríficos foram mantidos, temos as notas de referência no glossário como em todos os outros mangá, a edição de imagens está bem-feita. Há moiré (efeito sombra)? Sim, mas pouco, em quantidade normal que qualquer livro tem, não apenas os mangás, poderia ter menos, mas considero tolerável, o papel não está transparente. A edição de imagens também está bacana, mas não parece que tinha muito coisa pra se editar de qualquer forma.


Considerações Finais

  Não dá pra recomendar um título que eu não gostei, dos shoujos infantis eu curti MUITO MAIS o Sugar Sugar Rune, esse sim eu recomendo. Eu sei que Tokyo Mew Mew não foi feito pra pessoas da minha idade, mas mesmo assim eu o considero um mangá bem genérico, caça-níquel (no Japão, lógico) para arrancar dinheiro dos pais de menininhas que querem brinquedinhos.
  O único ponto positivo do Tokyo Mew Mew é a conscientização ambiental, falar dos animais em extinção, aquecimento global nunca é demais, é louvável por isso, mesmo que seja pra se aproveitar do apelo comercial. Se crianças passaram a se preocupar com o mundo onde vivem e com os animais é um grande ponto positivo.
  Se eu tivesse que dar uma nota de 0 a 10 o Tokyo Mew Mew ganharia um 4. O roteiro é ruim (não dá nem pra acreditar que havia uma roteirista responsável) e a arte também é muito ruim, não recomendo. Não é por ser infantil que precisa ser ruim.





Ficha Técnica do Mangá

Título: Tokyo Mew Mew, As Super Gatinhas, Mew Mew Power
Autores: Reiko Yoshida (história) e Mia Ikumi (arte)
Formato: 13 x 20,7, 180 páginas em média
Duração:  7 volumes, completo no Japão e no Brasil
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$9,90 e R$10,90 (volume final, não houve nenhum extra)
Demográfico: Shoujo
Gênero: Romance, Humor, Garota Mágica, Infantil.

sábado, 26 de novembro de 2011

[Resenha] Basilisk


  Ó pessoa amada, a ti desejo a morte. Essa é a primeira frase que lemos no verso da capa do primeiro volume de Basilisk, a frase não poderia ser mais apropriada.

DADOS TÉCNICOS

  A série foi publicada de fevereiro de 2003 até julho de 2004 na extinta antologia Young Magazine Uppers da Kodansha. O mangá é baseado no livro Kōga Ninpōchō, ou, em tradução livre, O Pergaminho Ninja dos Kouga escrito por Futaro Yamada entre 1958 e 1959, então nem tentem dizer que é plágio de  Naruto. A adaptação em mangá ficou a cargo de Masaki Segawa (que agora está adaptando pela terceira vez um livro do Futarou Yamada) e foi concluído em 34 capítulos organizados em 5 volumes tankoubon. Além disso, em 2005 o mangá foi adaptado em uma série animada de 24 episódios que é bastante fiel ao mangá e se tornou um grande sucesso.


RESUMO

  Não é um erro chamar Basilisk de Romeu e Julieta ninja, a série é exatamente isso, mas é bom ressaltar que ela não é só isso.
  No ano de 1614 Ieyasu Tokugawa precisa decidir quem será o seu sucessor como Xogum, para não perder nenhum homem de seu exército em disputas sem sentido (e de quebra enfraquecer a força dos ninjas turrões) ele prefere romper o tratado de paz imposto aos clãs ninjas Iga e Kouga. Cada um dos clãs representará um dos herdeiros nessa disputa e por isso deve selecionar seus dez maiores guerreiros. O clã que tiver o maior número de guerreiros vivos e levar o pergaminho com o nome dos vinte participantes com os nomes dos mortos marcados em sangue no último dia do quinto mês do ano 19 da Era Keichou será considerado vitorioso, "receberá mil anos de glória por mérito" e elegerá o sucessor do xogunato.
  No centro dessa disputa temos os jovens noivos Oboro de Iga, neta da líder do clã Iga e Gennosuke Kouga, neto do líder de Kouga, os dois sucessores aproveitam a trégua entre os dois clãs para viver o seu amor e tentar reconciliar as duas famílias que brigam há mais de 400 anos e cujo motivo inicial da disputa ninguém consegue se lembrar, só que com a disputa eles precisarão decidir o que é mais importante: A lealdade para com o clã ou o amor de sua vida?
  E assim nós temos uma mistura de batalha ninja com Romeu e Julieta e X-Men que no final das contas funciona muito bem se você curte batalhas de tirar o fôlego.


IMPRESSÕES

  É um mangá de leitura rápida (estilo Bleach, Gantz...) com muita ação, batalhas cheias de reviravoltas. Eu gostei bastante, ele é muito bom naquilo que se propõe e não vai muito além disso, não pretende discutir o sentido da vida, só nos mostra como o ódio pode ser tão fútil que no fim das contas nem nos lembramos dos motivos pelos quais odiamos ou lutamos com alguém. Apesar de haver um certo sentido de honra é fácil perceber como no fim das contas tais valores não fazem muito sentido e que não há espaço para orgulho no meio de uma guerra, é matar ou morrer e não há muita coisa além disso.
  Os personagens são bem diferentes do que estamos acostumados, mais realistas, não tão bonitos e infantilizados como na maioria dos mangás publicados por aqui. Algo que me incomodou MUITO foi o mangaká (talvez a mangaká, não tem como saber) abusar do uso de CG. Ele desenha os personagens muitas vezes em cima de fotos reais estilizadas para parecerem desenhos, mas o resultado acaba ficando bastante artificial, outros mangakás lançados no Brasil que utilizam muito esse recurso são o Hiroya Oku (Gantz) que também exagera e deixa muitas cenas artificiais (mas bem menos artificial do que o/a Masaki Segawa) e a Ai Yazawa (NANA/Paradise Kiss) que aplica muitíssimo bem esse recurso. São poucos os cenários e isso empobrece a arte do mangá, lá pelo meio do volume 3 já tem mais cenários desenhados a mão (talvez a série tenha feito sucesso e assim permitido a contratação de mais assistentes), mas continua o exagero na CG.


ACABAMENTO (edição e adaptação)

  Como já disse a arte é bem simples, então não vi nenhum problema nas edições de imagem. O destaque desse mangá são as páginas coloridas iniciais, sempre 3 ou 4 páginas coloridas (frente e verso), o restante das folhas está impresso no papel pisa brite cinzento de sempre. O efeito moiré, ou sombra, é mínimo já que as páginas são sempre muito escuras, mas há um leve moiré que pode ser percebido em algumas páginas.
  A adaptação está habitual, foram mantidos os honoríficos e alguns termos, há o glossário no final com as explicações.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

  Eu gostei do mangá e recomendo para você que curte mangás de ação. Apesar da classificação seinen essa é só uma desculpa pra ter cenas recheadas de ecchi e muita, muita violência, não espere muito aprofundamento em questões existenciais ou filosofia, esse é um mangá cheio de porrada e é ótimo que seja assim. Nada contra, eu gosto bastante, mas esse é um exemplo do que se convencionou a chamar de "Young Seinen" (repare no título da antologia de onde ele veio), é o típico seinen pro leitor que está migrando do shounen para o seinen. Se você curte Gantz, Highschool of the Dead, Claymore, Guin Saga pode acabar curtindo bastante.

FICHA TÉCNICA DO MANGÁ

Título: Basilisk - O Pergaminho Secreto dos Kouga
Autores: Futarou Yamada (história) e Masaki Segawa (arte e adaptação)
Formato: 13 x 20,7, 200~220 páginas
Duração:  5 volumes, completo
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Seinen
Gênero: Ação, Luta, Drama, Ninjas

sábado, 8 de outubro de 2011

[RESENHA] O Mito de Arata

Histórico  

  O Mito de Arata, ou Arata Kangatari é a primeira série shounen da famosa autora de mangás shoujo, Yuu Watase, o mangá foi lançado nas páginas da Weekly Shounen Sunday (lar de Kekkaishi, Zatch Bell, MÄR, Ranma 1/2, Inuyasha e várias outras obras conhecidas no Brasil) em outubro de 2008 e atualmente conta com 12 volumes e ainda está em andamento. O mangá é lançado nos EUA pela VIZ (e sempre aparece nos rankings de mangás mais vendidos), na França pela Kurokawa, na Alemanha pela Egmont e na Itália pela Panini.

Resumo

  Em um fantástico mundo alternativo chamado Amawakuni (País da Paz Celestial) vive um garoto chamado Arata, ele e sua avó Makari são uns dos poucos descendentes do clã Hime, as mulheres da família Hime são portadoras de um poder chamado Amatsuriki (poder que flui do paraíso) e por isso a cada 30 anos uma garota do clã Hime é escolhida para se tornar a Hime-ou, a governante de Amawakuni. A Hime-Ou é a única que consegue controlar os 12 Shinshous (bainhas de deus), que são os mais poderosos Shous (bainha). Um shou é uma pessoa que consegue controlar um Hayagami (deus-espada). Em Amawakuni os deuses têm forma de espadas com poderes místicos que escolhem aqueles vão controla-los e por sua vez são controlados pela governante, a Hime-Ou.
  Tudo estava correndo normalmente na vida de Arata (15 anos) até o dia em que a sucessão da Hime-Ou chegou, para sua infelicidade sua avó o registrou como mulher, pois fazia muitos anos que não nascia nenhuma mulher no clã Hime e os governantes ameaçaram matar qualquer menino que nascesse, para salvar a vida do neto Makari o registrou como uma menina e agora que chegou a época da sucessão da Hime-Ou ele deveria assumir o posto como sucessor da princesa, mas ele não pode assumir o cargo já que só as mulheres possuem o Amatsuriki, então para ganhar tempo enquanto procura em ramos mais distantes da família por alguma garota que possa assumir o cargo de Hime-Ou a avó o manda vestido de mulher para a capital com sua amiga-serva Kotoha. Quando chega ao palácio Arata é levado diretamente para a cerimônia de sucessão, mas a cerimônia é interrompida por Kannagi que fere mortalmente a Hime-Ou. Kannagi é um dos doze shinshous que deveriam proteger a Hime-Ou, entretanto os shinshous se rebelam contra o controle da Hime-Ou e aproveitam que ela estava distraída durante a cerimônia de sucessão para atacá-la, obviamente a culpa cai em cima do Arata que se torna um fugitivo procurado, ele foge para a floresta de Kando sem saber que as pessoas que entram nessa floresta são "devoradas" e transformadas em pessoas diferentes.

  Ao mesmo tempo em que a ação se passa em  Amawakuni, no nosso mundo um rapaz chamado Arata Hinohara (daqui pra frente ele será conhecido como Hinohara) está prestes a começar sua vida no colegial. Nova escola vida nova, ele quer esquecer de todo o bullying que sofreu e começar do zero. No metrô a caminho da nova escola ele desmascara e captura um tarado que bolinou uma mulher, com isso ele salvou também um colega da futura turma, Suguru, eles se tornam amigos, o primeiro amigo que Hinohara faz na escola. Por causa da captura do tarado, Hinohara se torna popular na escola e todos os clubes o querem e pela primeira vez ele tem amigos. Só que tudo muda com a chegada de Kadowaki, que foi um antigo colega de escola e principal responsável pelo bullying que Hinohara sofreu até então. Bullying pode acontecer por qualquer motivo, no caso de Hinohara o bullying aconteceu por ele ser atlético e modesto, para Kadowaki ele se achava "O Bom". E Kadowaki faz a vida escolar de Hinohara virar um inferno, novamente.
  
  Depois de penar um bocado na mão de Kadowaki, Hinohara foge e escuta alguém o chamando, ele é literalmente engolido pelos prédios e se vê em um outro mundo. Enquanto isso o Arata da família Hime depois de ser "devorado" pela floresta Kando se vê no nosso mundo. A partir daí o Arata vai ter que lidar com os problemas de bullying do Hinohara e o Hinohara vai ter que provar a inocência do Arata e derrotar os doze Shinshous.

Impressões

  O Mito de Arata é um mangá bem comum e clichê, garoto da Terra troca de lugar com garoto de mundo encantado aonde tem que salvar uma princesa ferida mortalmente, blablablá... E ainda assim consegue ser um ótimo mangá. É como eu costumo dizer, a diferença entre um bom mangaká e um mangaká mediano é que o bom mangaká sabe usar o clichê a seu favor. Yuu Watase começou sua carreira em 1989, são mais de vinte anos de uma carreira consolidada com vários mangás famosos em seu curriculum, inclusive dois deles foram lançados no Brasil pela Conrad (Fushigi Yugi e Zettai Kareshi).
  O Mito de Arata tem um traço lindo, é divertido e apesar de ter muito texto não fica cansativo, mal dá pra perceber o tempo passar, pois é muito divertido de se ler. Até o momento não é nenhuma obra prima, mas dá pra sentir empatia pelos personagens (principalmente com o Arata Hinohara, ele sofre muito) que são todos muito carismáticos, tanto os mocinhos quanto os vilões; os poderes místicos são bacanas; as situações (uma perguntinha: Por qual razão 90% dos protagonistas de shounen têm que dar um jeito de aparecer em um banho feminino e apanhar das garotas? Afinal, a tara é espiar as garotas no banho ou apanhar delas?) apesar de clichê ao extremo ainda assim funcionam muito bem.

Edição e Adaptação

  A edição está ótima, não dá pra perceber erros de edição (eu não notei nenhum), o acabamento gráfico está no padrão de sempre da Panini, papel offset, no mesmo formato que Naruto e Bleach, a impressão estava boa e no meu mangá não havia nenhum borrão nem efeito moiré (quando dá pra ver na página marcas da impressão do outro lado, também é chamado de efeito sombra), no verso das páginas foram colocadas as imagens que estavam no verso da capa original e dos comentários da orelha, mas vale ressaltar que não mantiveram uma das ilustrações que vinha na capa original.
  A adaptação está bacana, os sufixos honoríficos foram mantidos, os termos japoneses criados pela autora (Hayagami, Shou, Shinshou, Kamui, Hime-Ou etc.) continuaram em japonês e são explicados no glossário. Como se trata de uma história que se passa em um mundo fantástico japonês não vejo problemas em manter os honoríficos e termos japoneses. O glossário apesar de útil estava bem grandinho, foram três páginas de glossário. Daí eu me pergunto se realmente há a necessidade de tudo isso, se não poderiam usar apenas uma página e colocar as outras para fazer propaganda de novos títulos da editora? Não é implicância com o glossário, eu os acho muito úteis, mas algumas pessoas têm preguiça de ler páginas sem figuras e ficam de "mimimi" com o glossário, então eu acredito que deveria haver apenas o extremamente necessário.

Interessante notar que todas as capas de Arata formam uma única figura

Considerações Finais

  Eu gostei muito de O Mito Arata, daria uma nota entre 7.5~8 para esse primeiro volume, e recomendo a todo mundo que gosta de histórias de fantasia a comprar. A Yuu Watase se adaptou muito bem ao demográfico shounen e não dá nem pra notar que ela é uma experiente autora de shoujo, se você não souber que ela é uma autora de shoujo não vai perceber isso lendo Arata, O Mito de Arata é shounen até a medula.

  Infelizmente eu acho que esse título não vai ser muito bem recebido no Brasil, em primeiro lugar porque a Yuu Watase é autora de shoujo e os shounen-boys da vida (que infelizmente são a maioria dos consumidores de mangá) odeiam shoujo e costumam ter preconceito com os mangás shounen vindo de autoras de shoujo (já li alguns comentários infelizes por aí), por outro lado o público-alvo da Yuu Watase é o de consumidores de shoujo, consumidores de shoujo são mais flexíveis, mas acredito que entre um shounen e um shoujo eles vão optar por um shoujo e deixar o mangá da Yuu Watase de lado. Acho que foi uma escolha ruim da Panini lançar O Mito de Arata agora, por enquanto o mangá ainda tem 12 volumes, mas como é um shounen da Weekly Shounen Sunday a gente não sabe a quantos volumes pode chegar (pode acabar em 15 ou pode acabar em 60, não se sabe). Além disso a Yuu Watase tem muitas obras mais curtas e que são shoujo de fato, exemplos: Alice 19th (7 volumes), Imadoki (5 volumes), Ayashi no Ceres (14 volumes), antes de se arriscar com um shounen de uma autora shoujo deveriam criar um vínculo do público com ela (Yuu Watase não é Clamp, Tezuka ou Akira Toriyama para ter público cativo). Nos outros países em que Arata vem fazendo sucesso todas essas obras foram lançadas antes dele.

  É lógico que há a possibilidade de eu estar falando bobagem (espero que sim, eu amei o mangá) e das pessoas irem com a cara do título nas bancas e o levarem para casa, mas esse ano eu achei a maioria das escolhas de títulos da Panini muito infelizes. Se eu fosse a Panini e tivesse que lançar um mangá da Shounen Sunday eu lançaria Kami nomi zo Shiru Sekai (The World God Only Knows), Hayate no Gotoku (Hayate the Combat Butler), Zettai Karen Children ou até mesmo Ken'Ichi antes de pensar em O Mito de Arata que é um mangá praticamente desconhecido aqui no Brasil. Sejamos sinceros, ninguém falava nele antes de aparecer o anúncio do mangá pela Panini, até mesmo os fãs da Yuu Watase pediam outros títulos dela.
  Há um boato de que a série vai ganhar animê, eu vi isso no Shoujo Café e no Mision Tokyo. Espero que realmente aconteça, isso deve alavancar as vendas do mangá, mas se o animê estava programado para 2011 e nós estamos quase no fim do ano e não apareceu mais nenhuma notícia a respeito é bem provável que tenham cancelado o projeto ou não tenha passado de boato mesmo. Se aparecer uma animação no fim do ano muita gente pode correr atrás do mangá, mas ainda acho um mau momento para lançarem o mangá, deveriam esperar a animação sair e aumentar a popularidade da história antes de lançarem por aqui. O preço reajustado (R$10,90) também não parece muito convidativo pra quem quer tentar algo novo, pode não parecer muita coisa, mas para quem compra muitos mangás como eu, um real em um título pode fazer uma bela diferença e eu acho difícil alguém que não conhece nada sobre mangás optar por ele do nada. Espero que a capa que é muito bonita atraia compradores.


  Em suma, estou torcendo pelo mangá, é uma ótima história que merece ser lida, mas a Yuu Watase tinha muita coisa pra ser lançada no Brasil antes dele.

Título: O Mito de Arata (Arata Kangatari)
Autora: Yuu Watase
Formato: 13,7 x 20, 208 páginas
Duração:  12 volumes, continua
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$10,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Aventura, Fantasia.

terça-feira, 28 de junho de 2011

[Resenha] Kekkaishi


  Kekkaishi é o mangá de estreia de Yellow Tanabe. Kekkaishi foi publicado nas páginas da Shounen Sunday e foi concluído com 35 volumes no total, é um mangá shounen de batalha. Kekkaishi ganhou o prêmio Shogakukan de melhor shounen em 2007, teve também um anime que cobriu apenas 13 de seus 35 volumes. Um fato interessante sobre a Yellow tanabe é que ela foi assistente de Makoto Raiku (Zatch Bell) e Mitsuru Adachi.

  Kekkaishi é um shounen clássico, sem nada de diferente dos outros shounens publicados hoje em dia, talvez exceto pelo carisma de seus personagens. Kekkaishi é um mangá muito humano, é fácil se identificar e até se irritar com o mangá por causa disso (demora muito para que a ação de verdade comece e isso irrita muita gente).

  Yoshimori Sumimura é o 22º sucessor do clã Sumimura, isso significa que ele é um kekkaishi (mestre de barreira), ou seja. ele possui poderes paranormais para criar e explodir barreiras mágicas e assim destruir ayakashis e youkais, consequentemente eles conseguem ver espíritos e até mesmo usar shikigamis (servos "mágicos" criados escrevendo encantamentos em um papel) para realizar tarefas simples. Mas é lógico que a família Sumimura possui uma missão (já dizia o Tio Ben: Grandes poderes, grandes responsabilidades), eles devem proteger Karasumori uma região de grande poder sobrenatural da invasão das ayakashis e youkais que infestam a região em busca de poder. Quando um youkai fica durante um tempo no solo de Karasumori suas feridas se regeneram e se passar mais tempo eles ganham força e podem até mesmo evoluir em criaturas mais perigosas.
  Segundo a lenda muitos séculos atrás havia uma família de lordes de grandes poderes místicos chamada Karasumori nessa região, eles eram constantemente atacados pelos youkais por causa de seus poderes místicos então um dia um famoso kekkaishi exterminador de youkais foi chamado, era Tokimori Hazama e ele protegeu o castelo de Karasumori e seus habitantes até o dia em que caiu doente, ele ficou de cama por três e quando pode se levantar no quarto dia soube que o castelo foi tomado pelas ayakashis e todos os seus habitantes exterminados, mas ainda assim o poder dos Karasumori continuou no local e como Tokimori Hazama não deixou descendentes seus discípulos herdaram sua função de proteger o local, só que a família Sumimura não é a única que protege o local, há também a família Yukimura que são seus vizinhos e maiores rivais.
  Yoshimori não quer ser um kekkaishi, na verdade ele sonha mesmo em se tornar um patissier (confeiteiro) e adora criar castelos feitos de bolo, mas o seu avô é contra já que ele é o próximo sucessor natural do legado já família já que ele possui um houin (espécie de sinal de nascença em forma de um quadrado que no mangá marca o kekkaishi sucessor), mas Yoshimori é relaxado e apesar de possuir um grande poder não possui força de vontade de aprender a usá-lo corretamente, bem diferente de Tokine Yukimura(engraçado que somando Tokine + Yoshimori temos Tokimori, pelo visto não é só no Brasil que os pais criam nomes a partir de outro), a herdeira da família Yukimura, ela é muito habilidosa e consciente de sua missão, mas não tem muito poder em compensação.
  Então nesse ambiente de briga de vizinhos temos dois kekkaishis que deveriam ser rivais, mas que apesar de tudo são amigos de infância e cooperam em prol da proteção de Karasumori. Durante o primeiro capítulo Yoshimori na época com 9 anos e Tokine com 11 enfrentam uma ayakashi de nível inferior, mas devido ao descuido de Yoshimori Tokine recebe um grave ferimento, Yoshimori então jura para si mesmo que vai treinar duro para que ninguém mais seja ferido por uma ayakashi por sua falta de interesse e dedicação.


  Preciso comentar que fico feliz de estar escrevendo essa resenha hoje, quando o mangá já tem 11 volumes lançados. Confesso que assim que comecei a colecionar essa série eu pensava: Se eu tiver que dropar uma coleção vai ser Kekkaishi. Mas o mangá cresce aos poucos, no começo as aventuras são fraquinhas, os youkais que tentam invadir Karasumori nos primeiros volumes são fracos e aleatórios e para um shounen de batalha não é legal, afinal o que se busca ao ler um shounen porradeiro é muita ação e adrenalina, certo?
  Mas o diferencial aqui é que Kekkaishi tem uma base sólida, somos apresentados aos personagens, aos seus poderes, ao mundo secreto dos paranormais do Japão nos primeiros volumes apenas para ver essas coisas desmoronando. O Alexandre Lancaster do Maximum Cosmo uma vez me disse em um comentário no blog dele que os mangás da Shounen Sunday têm essa característica de entrarem na sua casa e virarem como membros da sua família, que os personagens ali são como as pessoas que a gente conhece de verdade. Ele não poderia estar mais certo. Quando a Yellow Tanabe mata um personagem importante no volume 10 todo mundo que eu conheço e lê Kekkaishi ficou chocado com aquilo, todo mundo se perguntava: - Mas fulano morreu mesmo? É sério isso? As pessoas se sentiram como se um conhecido seu tivesse morrido, pois o mangá cria esse laço com o leitor sem que ele perceba. E isso me fez admirar mais a série, o departamento editorial e a autora tiveram coragem de matar um personagem importante e que poderia muito bem ser aproveitado até o final da série(e não, isso não é uma indireta pro Tite Kubo, é uma direta mesmo! Que guerra é essa que nenhum "bonzinho" morre?).

  Eu gostei da tradução do mangá, está clara, bem adaptada, sem nenhuma gíria horrorosa, mas ainda assim bastante coloquial. Algumas pessoas reclamam dos comandos que os kekkaishis usam estarem em japonês e em português (marcar alvo, hou; marcar o lugar, jouso; ativar, ketsu; kai, liberar ou metsu, destruir). Na minha opinião se deixassem de colocar o original em japonês reclamariam, mas eu e 99% dos brasileiros não sabe japonês, então o português é necessário também e se colocassem notas nas páginas deixaria o mangá emporcalhado de notas, se pusessem algo tão usado no glossário atrapalharia a leitura, então eu não vejo problemas com a repetição dos comandos.
  A edição está muito boa, não vi nenhum erro nos volumes que eu li, mas o que eu mais curti foi a capa brasileira. A Panini brasileira criou um logo muito bacana para a série que muda de cor a cada volume. A capa nacional é até mais bonita que a original e as capas estrangeiras que eu vi. Nem sempre a Panini acerta (Dorothea), mas na maioria das vezes a equipe da Mythos cria capas muito bonitas.



  Então para finalizar eu recomendo o Kekkaishi para todos que estiverem procurando um bom shounen de luta e não tiverem medo de pegar uma série de 35 volumes. A série pode começar em um ritmo lento, mas ela evolui de verdade, ela cresce com o leitor (lembrando que no Japão a série era semanal, então saía uns quatro volumes por ano) e fica mais interessante a cada novo volume.

Título: Kekkaishi (mestres de barreiras)
Autoria: Yellow Tanabe
Formato: 13,7 x 20, 200 páginas
Duração:  35 volumes
Periodicidade: Mensal
Preço: R$9,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Aventura, Fantasia, Luta

sábado, 18 de junho de 2011

[Resenha] 07-Ghost


  07-Ghost é uma criação de Yukino Ichihara e Yuki Amemiya, as duas começaram como mangakás formando um círculo de produção de doujinshis shounen-ai/yaoi de Naruto (são mais de 20 doujinshis!! 0_0U) e eventualmente acabaram publicando seu próprio mangá. 07-Ghost é o mangá de estreia da dupla e no momento conta com 11 volumes e um volume extra chamado 07-Ghost Children com histórias curtas. As duas autoras são responsáveis pelos desenhos e história. O mangá é publicado na revista Comic Zero Sum (que é a casa de Loveless e di[e]ce) da Ichijinsha que é uma antologia josei. O mangá fez sucesso imediato entre os leitores da revista e logo ganhou DramaCD, em abril de 2009 a série foi adaptada em anime.


  O mangá conta a história do jovem Teito Klein, ele é um orfão desmemoriado. Teito era um escravo, mas como possui habilidade com Zaiphon foi levado para a Academia Militar de Barsburg para aprender a usar suas habilidades e futuramente se tornar um Begleiter. Na véspera de sua formatura Teito faz uma promessa de amizade com o colega Mikagi, seu único amigo na academia, já que todos os outros estudantes o desprezam por ser um ex-escravo. No dia do teste final ambos caem no mesmo grupo e têm que usar suas habilidades de Zaiphon para eliminar um criminoso de alta periculosidade, claro que Teito se recusa a matar alguém sem ter um motivo real. Então o general Ayanami aparece, mata o criminoso e chama Teito de covarde, ele fica chocado com essa pessoa que ele parece conhecer de algum lugar. Algum tempo depois quando Teito se encontra novamente com Ayanami suas memórias começam a voltar e ele lembra que quando ele era criança foi Ayanami quem matou seu pai que era o rei do reino de Raggs e o ataca, mas é rapidamente contido e preso em uma cela dentro da academia.
  Com a ajuda de Mikagi Teito consegue fugir da cela e usa um Hawkzilla (espécie de motocicleta aérea) para escapar do lugar, Ayanami percebendo usa seu Zaiphon para destruir o Hawkzilla em que Teito voava, com isso ele despenca de uma grande altura (os continentes são suspensos nas nuvens por Zaiphon nesse planeta) e acaba caindo em cima de Frau, um dos bispos do Sétimo Distrito de Barsburg. Por sorte o Sétimo Distrito está fora do alcance do poder dos militares e eles não podem fazer nada para ameaçar Teito enquanto ele se encontra ali.
  Dentro do Mosteiro Teito começa a descobrir sobre o passado, havia dois reinos, um chamado Barsburg e outro chamado Raggs, há mil anos atrás "deus" presenteou os dois reinos, Barsburg com "O Olho de Raphael" e Raggs com "O Olho de Mikhael", duas grandes fontes de poder, mas dez anos atrás Raggs atacou Barsburg atrás do "Olho de Raphael", com isso houve uma guerra e Raggs foi destruído e "O Olho de Mikhael" foi perdido durante a guerra.
  Nem preciso dizer quem não sabe que esconde "O Olho de Mikhael" e é o príncipe herdeiro do reino de Raggs nem que o Mosteiro esconde grandes segredos dentro dele e há um grande mal à espreita.


  A arte do mangá é bem diferente do que se costuma ver nas bancas atualmente. O traço é bem puxado pro yaoi (vide o background das autoras) e me lembrou muito mesmo do traço do Clamp nos anos 90 (fica entre Guerreiras Mágicas de Rayearth e X). O único problema na arte a meu ver foram as lutas, é quase impossível saber o que se passa nas lutas, é tudo muito ágil e cheio de "ventinhos mágicos". Só fui entender o que se passa durante as lutas vendo o anime (mais que recomendado também).
  A história é cheia de clichês, mas mesmo assim os clichês são bem trabalhados pelas autoras e com isso a história apesar de ser bem comum e você ter noção de como as coisas vão se desenvolver consegue ser bem divertida e cativante, como eu digo, o problema não é ter clichê, o problema é não saber usar o clichê a favor da história.

  A adaptação da Panini ficou bacana, para aqueles que dizem que a Panini é preciosista e deixa tudo "ajaponesado demais" aviso que não há honoríficos japoneses nesse mangá. Nas notas de tradução há a explicação: Não foram mantidos os termos e honoríficos japoneses por se tratar de uma história cujo cenário não é o Japão. Já estou prevendo as lágrimas negras da comunidade otaku brasileira. Na minha opinião isso é o correto a se fazer e a Panini ganhou um ponto comigo, teria ganhado mais pontos não fosse o "Teito-kun" no segundo quadro da página 158. Pelo menos dessa vez não tem nenhum erro de ortografia na capa (xD).
  Para aqueles que odeiam simplesmente escutar a palavra yaoi passem longe do mangá, não há nenhum fanservice real no mangá, mas o clima da história é bem "suspeito", a amizade entre Teito e Mikagi é bem parecida com FuumaxKamui, talvez seja este o motivo para o mangá me lembrar de X e outros trabalhos do Clamp (além do traço).
  Falando em Mikagi no original o nome dele era Mikage (lê-se como "me cague", é a mesma pronuncia), daí optaram por trocar o e por i e ficar Mikagi. Se não me engano há uma lei contra esses nomes estrangeiros com duplo sentido e eles têm que ser trocados, peço que se alguém souber melhor sobre isso para explicar nos comentários.
  A Panini optou por usar a mesma capa que a japonesa, os dois lados possuem ilustrações diferentes e as imagens das orelhas estão no verso das capas. Não há páginas coloridas e não havia na versão japonesa do tankoubon, as páginas que eram coloridas na antologia estão em preto e branco, mas não estão "borradas" como muitas vezes acontece, deu pra perceber que houve cuidado ao adaptar as imagens que eram coloridas para o preto e branco. Acredito que todo mundo detesta ver essas color pages borradas em preto e branco como é típico em alguns shoujos e nos mangás da shounen jump (eles são mestres nisso).


  Eu recomendo o mangá para todos aqueles que gostam de um mangá de aventura e não se importam com um clima "Clampesco", como eu já disse o fanservice "shounen-ai" (dizer fanservice yaoi seria forçar demais)só existe se você quiser enxergar aquilo, ou se você é daqueles que dá pití vendo dois garotos tendo uma amizade forte. Apesar de ser um mangá josei eu vejo quase nada de josei nele, o clima é bem shounen, cheio de batalhas e mistérios a serem desvendados (não muito diferente de um Reborn! da vida). Dessa nova leva de títulos foi o que eu mais gostei até agora.


Título: 07-Ghost
Autoria: Yuki Amemiya e Yukino Ichihara
Formato: 13 x 18, 208 páginas
Duração:  11 volumes (em andamento)
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$9,90
Demográfico: Josei
Gênero: Aventura, Fantasia, Luta