Hoshi no Koe ou The voices of a Distant Star surgiu como uma animação, ficou famoso como "O animê de um homem só", parece que foi feito por Makoto Shinkai totalmente sozinho, sem a ajuda de ninguém, o animê foi lançado em fevereiro de 2002 e mais tarde em fevereiro 2004 foi serializado na revista seinen Afternoon da Kodansha uma versão em mangá que foi concluida com 10 capítulos em dezembro do mesmo ano.
A versão mangá ficou a cargo da Mizu Sahara, também conhecida como Yumeka Sumomo Aqui fica uma dica pra Panini: Tragam tudo que vocês puderem dessa autora!!, é meio difícil afirmar quem fez o que, na capa da versão americana lançada pela Tokyopop está escrito que o mangá foi desenhado e adaptado pela Mizu Sahara, já a capa da versão brasileira da Panini ela consta apenas como responsável pela arte. Pode-se falar o que quiser, a versão mangá é muito superior à versão animada, é incrível como adicionando novos (e ótimos) personagens o relacionamento entre Noboru e Mikako ganhou uma dimensão ainda mais profunda, isso sem contar as reflexões que há no mangá e não havia na versão anime.
No ano de 2039 uma tripulação humana a Marte encontrou as ruínas de uma civilização posteriormente chamada de Tharsian, entretanto as pessoas que estavam nessa expedição foram todas mortas pelos Tharsians, só que mesmo assim a tecnologia encontrada nas ruínas foi tomada pela humanidade e ajudou no desenvolvimento tecnológico da humanidade. Com a tecnologia tomada dos Tharsians os seres humanos foram capazes de se defender dos Tharsians, agora seres humanos têm robôs gigantes chamados Tracers para combater os Tharsians e podem viajar pelo espaço em naves espaciais, só que isso traz um dilema, quem vai pilotar os Tracers?
Crianças têm suas capacidades testadas e aquelas que podem vir a se tornar bons pilotos de tracers são convocadas mais tarde pelas Nações Unidas, uma dessas crianças é Mikako Nagamine, ao invés de partir imediatamente para o seu treinamento ela prefere usar todo o tempo de que dispõe para viver uma vida normal enquanto puder, mas quando ela passaria para o "colegial" ela é então convocada para começar seu treinamento.
A unica ligação de Mikako com o mundo que deixa para trás é a relação platônica com o seu antigo colega de escola, Noburo Terao, eles se relacionam por mensagens pelo celular, mas a cada novo estágio do treinamento de Mikako as mensagens demoram mais tempo para chegar através de sua viagem pelo espaço, primeiro as mensagens demoram dias para chegar, depois são anos.
É um romance lindo, comovente mesmo e é impossível a gente não se pegar torcendo pela felicidade dos dois no final do mangá. Como já disse a história tomou uma dimensão mais profunda na versão mangá, é um título reflexivo, faz a gente pensar em várias coisas, mas não é um mangá chato. A arte é muito bonita, o traço é simples e delicado, a maioria das cores foi feita em aquarela o que dá um visual delicado e romântico para a capa. Não há muitos cenários, só quando eles são necessários, o que é raro já que a maioria das ações se passa dentro da cabeça dos personagens, são suas reflexões e expressão dos seus sentimentos. A adaptação/tradução está muito boa, fluida, sem ruídos, o assunto viagem espacial é um pouquinho complicado, mas tudo que é necessário saber está no glossário no final da edição.
A edição está muito boa, sem marcas das reconstruções no photoshop, pelo que pude conferir a versão americana tem oito página coloridas que não foram mantidas na versão brasileira, o que é uma pena. O que mais me incomodou foram três placas sem tradução (era a mesma placa de um ponto de ônibus), a primeira estava na página 24 no quarto quadro, na página 35 no primeiro quadro e na página 107 no primeiro quadro. Na página 230, segundo quadro em uma memória de Mikako aparece um quadro negro onde algo está escrito, bem, eles não traduziram o que estava escrito, tampouco colocaram uma nota de rodapé explicando, mas segundo a versão da Tokyopop que eu consegui ver estava escrito Love Noboru (Amo Noboru). É chato porque depois nos extras há uma piadinha com essa cena, novamente um problema de falta de atenção
Apesar desses erros eu recomendo a qualquer um que compre esse mangá, é raro ver um one-shot que realmente valha a pena comprar, mas The Voices of a distant star é um mangá lindo, poético, profundo. Todo mundo que gosta de um romance bem escrito e bem realizado deveria ler. Aliás, é uma pena que esse lançamento fique restrito ao círculo otaku, eu recomendaria esse mangá para qualquer pessoa que estiver interessada em ler uma bela história de amor. O preço é um real mais caro do que os lançamentos normais da Panini, mas o mangá tem quase 240 páginas de história. Agora é torcer para a Panini trazer mais coisas do Makoto Shinkai e da Mizu Sahara/Yumeka Sumomo.
Título: The voices of a distant star/Hoshi no Koe
Autora: Makoto Shinkai (história original), Mizu Sahara/Yumeka Sumomo (adaptação e arte)
Formato: 13,7 x 20
Duração: volume único
Preço: R$10,90
Demográfico: Seinen
Gênero: Romance, Ficção Científica






